SÃO PAULO — A consulta ginecológica pode ser uma das principais oportunidades para identificar e acompanhar questões metabólicas na saúde da mulher, segundo a médica nutróloga e ginecologista Maria Socorro Morais. Para ela, esse contato com o sistema de saúde deve incluir ações de prevenção e orientação sobre hábitos de vida.
A especialista fez uma palestra na sexta-feira (25), durante o XXX Congresso Brasileiro de Nutrologia (CBN 2026), realizado no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo. O evento segue até este sábado (26).
Mudanças na menopausa
A transição para a menopausa envolve alterações hormonais e metabólicas que podem repercutir nas saúdes cardiovascular, óssea, muscular e cerebral. Também pode afetar a qualidade de vida. Nesse período, a nutrologia pode contribuir com planos individualizados que reúnam alimentação, atividade física, preservação da massa muscular, controle do peso e atenção aos fatores de risco cardiometabólicos.
“Saúde se constrói mudando o estilo de vida das pessoas. A vida é sobretudo movimento, exercício físico é fundamental, mas a mulher precisa manter uma boa alimentação, cuidar da saúde mental, reduzir e aprender a lidar com o estresse”, orientou Socorro Morais.
A médica é docente e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e também atua no Núcleo de Tecnologias Estratégicas Aplicadas à Saúde (NUTE), da Universidade Estadual da Paraíba.
Prioridades ao longo da vida
Socorro Morais afirma que o cuidado deve considerar as diferentes funções desempenhadas pelas mulheres e o risco de deixarem as próprias necessidades em segundo plano. Ela recomenda que, especialmente a partir dos 40 anos, elas reavaliem prioridades e façam escolhas que também contemplem a própria saúde.
A médica relata que encontrou na nutrologia, aos 42 anos, uma maneira de ressignificar seu processo de envelhecimento. Hoje, aos 64 anos, dedica parte da atuação à saúde da mulher na transição para a menopausa e ao envelhecimento. Ela conta que enfrentou um câncer de mama, obesidade, trabalho em quatro lugares e a criação de dois filhos praticamente sozinha.
Para a especialista, o prazer de viver e a identificação do que é essencial também fazem parte desse cuidado. O conhecimento, afirma, tornou-se um elemento central em sua própria trajetória. Ela atua há quase 20 anos na nutrologia.
Atendimento integrado
No caso de mulheres com SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos), o acompanhamento precisa ser contínuo e envolver diferentes profissionais. A médica defende que a abordagem não se concentre apenas na estética, mas inclua educação para hábitos saudáveis.
A saúde da mulher, segundo Socorro Morais, deve ser acompanhada em todas as fases, da menarca à adolescência, passando pela vida reprodutiva e chegando ao envelhecimento. O cuidado também pode produzir efeitos sobre toda a família.
Ela reconhece avanços na circulação de informações, na formação profissional e no trabalho interdisciplinar. Ao mesmo tempo, afirma que as redes sociais exigem atenção na escolha de conteúdos confiáveis, por causa da desinformação. Ainda há necessidades relacionadas ao acesso à educação, à prevenção e ao diagnóstico precoce. “O SUS ainda tem uns vazios assistenciais”, disse.
A médica também cobra mais atenção dos gestores do Rio Grande do Norte e de Natal. Ela cita experiências positivas em Jardim de Piranhas e Acari, mas afirma que a capital precisa avançar no atendimento a mulheres de todas as idades, principalmente às que estão envelhecendo e às idosas. Segundo Socorro Morais, a política estadual do climatério, aprovada em maio de 2025, ainda não havia sido implementada na atenção básica.







