A conta de energia elétrica terá bandeira tarifária verde em outubro, sem cobrança adicional pelo consumo. A mudança foi anunciada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e confirmada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A cobrança começa a valer a partir da próxima quinta-feira.
O novo cenário ocorre depois de cinco meses de bandeira amarela, que acrescentava R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. A decisão foi associada ao aumento das chuvas e à melhora das condições dos reservatórios das usinas hidrelétricas.
"As chuvas registradas neste mês, aliada ao bom planejamento junto a todas as entidades que compõem o setor elétrico, principalmente frente ao El Ninõ, foram imprescindíveis para isso", declarou Silveira nas redes sociais.
Chuvas ajudam a estabilizar reservatórios
A Aneel explicou que a transição entre os períodos seco e úmido elevou o volume de chuvas nas regiões Sul e Sudeste. Com isso, os níveis dos reservatórios foram estabilizados, reduzindo a necessidade de acionar fontes mais caras para a geração de energia.
A agência informou que a menor utilização de usinas termelétricas evita a cobrança de custos adicionais na conta do consumidor. Na semana passada, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) já havia indicado a possibilidade de bandeira verde a partir de outubro nos cinco cenários analisados.
Para Fred Menezes, diretor de Comercialização da Armor Energia, a mudança está ligada principalmente ao maior volume de chuvas registrado em setembro. A projeção para os próximos meses é de preços de energia entre R$ 120 e R$ 140 por megawatt-hora (MWh).
El Niño mantém cenário de atenção
Apesar da bandeira verde, o setor elétrico continua monitorando os efeitos do El Niño, que pode alterar o regime de chuvas e as temperaturas. A previsão considera menor disponibilidade de energia produzida na região Norte do País e aumento da carga do sistema elétrico devido às temperaturas mais altas e ao crescimento do consumo.
Em julho, o ministro de Minas e Energia autorizou a antecipação do início do suprimento de cinco contratos vencedores de leilões de reserva de capacidade. A medida buscou garantir potencial adicional ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 1º de setembro.
A Aneel também informou que os geradores dos sistemas isolados do Norte passaram a receber antecipadamente recursos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), para formar estoque na região diante da possibilidade de dificuldade de navegação. A agência ainda mantém o Radar, sistema que acompanha, em tempo real, interrupções no fornecimento de energia elétrica em todo o País, com dados de 5.542 municípios.








