Uma projeção publicada na revista Climate Impact Lab estima que o calor extremo associado ao Super El Niño pode provocar, em média, 13 mil mortes no Brasil até fevereiro de 2027. O país aparece entre os cinco mais afetados pelo fenômeno.
A previsão considera a possibilidade de temperaturas mais altas, pancadas de chuva e aumento do risco de eventos extremos. No Espírito Santo, o governo estadual e municípios já adotam medidas para enfrentar cenários de calor, estiagem, incêndios e chuvas intensas.
Previsão para o Espírito Santo
Lizandro Gemiacki, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), afirma que o Sul do Brasil tem uma relação mais definida com o El Niño, marcada por chuvas intensas. No Espírito Santo, porém, há maior incerteza. “As chuvas estão dentro da média. Mas em relação às temperaturas, elas devem ser mais elevadas em toda região Sudeste”, disse.
A previsão indica temperaturas de 1,5°C a 2°C acima do normal. Para a primavera, também são esperadas pancadas de chuva intensas no fim da tarde, com possibilidade de ventos fortes, raios e queda de granizo em pontos isolados.
Segundo Wesley Correa, professor de Climatologia do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a irregularidade das chuvas pode reduzir a vazão dos rios e levar ao desabastecimento. O tempo seco também pode favorecer incêndios florestais, com possíveis impactos na energia e na produção de alimentos.
Medidas de preparação
O coronel Benício Ferrari Junior, coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, afirma que o Espírito Santo se prepara para situações de chuva e estiagem antes da confirmação do El Niño. Entre as ações estão o combate a incêndios em vegetação, a construção de barragens, a distribuição de equipamentos para produtores rurais e a preparação para um possível racionamento de água.
A Defesa Civil estadual também pretende alertar os órgãos públicos para a elaboração de planos diante de uma estiagem mais severa em agosto ou setembro de 2027. O volume de chuva em novembro é considerado decisivo para a recarga hídrica.
Em Vitória, o coordenador-chefe da Defesa Civil, Tarcísio Förger, informou que já foram limpas faixas sem vegetação destinadas a barrar incêndios. Desde 2021, também foram aplicados recursos em mais de 90 obras de contenção de encostas e macrodrenagem.
As ações municipais incluem ainda monitoramento da qualidade do ar e da fumaça em unidades de saúde, ampliação de áreas para atendimento de pacientes com dengue, aumento de postos de hidratação e campanhas para evitar queimadas em lixo ou quintais. O município mantém um Comitê de Governança Climática desde 2025, com participação de diferentes secretarias.
Também estão previstos cerca de R$ 100 milhões para obras de contenção de encostas, incluindo intervenções concluídas e outras licitadas, além da limpeza contínua de córregos e da manutenção da rede de drenagem. O plano de contingência específico para os efeitos do El Niño está em fase de adaptação.








