Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Finanças da casa

Aneel define divisão dos custos para leilão de baterias de energia

Empresas divergem sobre o rateio e avaliam recorrer à Justiça antes da licitação prevista para dezembro.

Aneel define divisão dos custos para leilão de baterias de energia

Empresas do setor elétrico divergem sobre quem deverá pagar pelos sistemas de armazenamento de energia previstos no leilão programado para dezembro. A definição ainda cabe à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e companhias avaliam questionar as regras na Justiça antes mesmo da publicação do edital.

A contratação de baterias é defendida como uma forma de reequilibrar o sistema elétrico em períodos de excesso de geração solar e eólica. O armazenamento também pode reduzir o chamado curtailment, que ocorre quando usinas precisam interromper parte da produção durante momentos de sobreoferta.

Disputa sobre o rateio

Uma lei aprovada no ano passado estabeleceu que o custo dos leilões de baterias seria pago pelas empresas de geração. A regra não estava na proposta original do Governo e foi incluída durante a tramitação na Câmara. O texto, porém, não detalha como a divisão deverá ser feita.

Até então, a regra geral era que os leilões de energia fossem custeados pelos consumidores, considerados os beneficiários finais, por meio de repasses às tarifas. Para uma fonte próxima a investidores interessados no leilão, a mudança buscou poupar o consumidor, mas criou oposição entre empresas do setor.

Geradoras hidrelétricas, como a AXIA Energia, e empresas termelétricas, como Petrobras, Eneva e Âmbar, da J&F, defendem que o custo seja concentrado nas geradoras eólicas e solares. O argumento é que a necessidade de baterias está ligada à intermitência dessas fontes.

As empresas renováveis, por sua vez, não querem assumir sozinhas a despesa. Elas também consideram que os leilões podem se tornar frequentes, possivelmente anuais, o que aumentaria a incerteza sobre os custos futuros.

Propostas da Aneel

Técnicos da Aneel elaboraram alternativas para o rateio. Uma delas prevê dividir igualmente a conta entre todas as geradoras. Outras propostas reduzem o encargo para usinas hídricas e térmicas ou para empresas que tenham baterias próprias, com possibilidade de isenção em alguns casos.

A recomendação técnica é escalonar a cobrança conforme o grau de flexibilidade das geradoras: 25% para as que têm “flexibilidade muito alta”, 50% e 75% para outras categorias e 100% para as consideradas “inflexíveis”. A decisão final será tomada pela diretoria da agência.

O deputado Arnaldo Jardim apresentou em julho um projeto de lei para revogar o rateio entre os geradores. A proposta ainda não iniciou tramitação.

A Aneel trabalha para aprovar o edital até 27 de outubro, prazo considerado necessário para realizar a licitação ainda neste ano. Empresas do setor, porém, aguardam a decisão para avaliar medidas judiciais. Uma fonte próxima a geradores afirmou: “Qualquer que seja a regra, alguém vai ficar insatisfeito.”

O custo também pode chegar aos consumidores de forma indireta. Empresas poderão incluir o encargo em seus preços, e usinas com contratos regulados podem tentar repassá-lo, alegando “fato do príncipe”, expressão usada quando uma decisão do Governo provoca custos inesperados.

O leilão recebeu cadastramentos de geradoras, transmissoras e distribuidoras, além de fundos de investimento e fabricantes de baterias. Apesar do interesse, uma fonte do setor avaliou que a disputa sobre o pagamento pode impedir a realização do evento.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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