O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) determinou que a Meta investigue uma possível ligação entre o perfil de apoio @nikolasferreirateam e a conta oficial do deputado federal Nikolas Ferreira no Instagram. O perfil é apontado como responsável pela primeira divulgação conhecida de um relatório falso atribuído à Polícia Federal (PF), que tratava da relação entre o parlamentar e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A decisão também ordena que Meta e X preservem dados e registros relacionados à circulação do documento nas redes sociais. A medida foi tomada pelo desembargador Sálvio Chaves, relator de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral apresentada pelo deputado federal Rogério Correia contra Nikolas.
Dados de perfis e publicações
A Meta deverá entregar, em até 24 horas, informações cadastrais do titular e dos administradores do @nikolasferreirateam, como nome, documento de identificação, e-mail e telefone. Também devem ser preservados registros de acesso e endereços IP relativos ao período analisado.
O tribunal quer saber se há vínculo, coincidência de administradores ou de dispositivos entre o perfil de apoio e a conta oficial de Nikolas, @nikolasferreiradm. A plataforma também deverá fornecer dados sobre o perfil EASY FATOS (@easyfatos), indicado pela conta SPACE LIBERDADE como origem imediata do arquivo, além do material na forma como foi carregado originalmente.
No X, a ordem alcança a republicação feita pela conta oficial de Nikolas e o perfil SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade), cuja publicação foi compartilhada pelo deputado. Entre os dados solicitados estão informações sobre impressões, visualizações, republicações, curtidas, respostas e eventual impulsionamento pago.
Pedidos ainda não analisados
A ação apresentada por Rogério Correia acusa Nikolas de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. O processo pede a cassação do registro de candidatura ou do diploma, caso já expedido, além da declaração de inelegibilidade por oito anos a partir das eleições de 2026. Esses pedidos não foram decididos na medida cautelar de sexta-feira (11/9), que trata da preservação de provas e do andamento da investigação.
Sálvio Chaves deixou para depois da manifestação de Nikolas a análise dos pedidos para impedir novas publicações do documento e suspender eventual impulsionamento, monetização e recomendação algorítmica do conteúdo. O relator também adiou a avaliação de solicitações para que a PF informe o andamento da apuração sobre a origem do arquivo e para que seja invertido o ônus da prova sobre possível uso de inteligência artificial ou tecnologia semelhante.
O documento apresentava diálogos entre Nikolas e Vorcaro e afirmava que “não foram identificados indícios suficientes para sugerir a abertura de inquérito específico ou adoção de medidas investigativas” contra o deputado. A PF confirmou que o relatório não foi produzido pela corporação.
A assessoria de Nikolas informou que ele apagou a publicação depois de descobrir que o conteúdo era falso. Em nota, a defesa afirmou: “Nikolas está tranquilo e plenamente convicto de que não praticou qualquer ilegalidade”. A equipe disse ainda que apresentará contestação dentro do prazo legal e que confia no esclarecimento dos fatos perante a Justiça Eleitoral.







