Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Brasil

Dino vê indícios de liderança de Mario Frias em esquema de desvios

Decisão do STF retirou o sigilo de investigações sobre recursos públicos e apontou possíveis conexões entre empresas e entidades.

'Dark Horse': ao retirar sigilo de investigação, Dino cita suspeita de que Frias liderou esquema criminoso de desvios
Foto: Reprodução

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que investigações em andamento reúnem indícios de que o deputado federal Mario Frias (PL-SP) pode ter ocupado uma posição de liderança em um esquema de desvio e ocultação de recursos públicos.

A afirmação consta de uma decisão publicada neste domingo (13), que retirou o sigilo de documentos enviados pela Justiça do Estado de São Paulo e reuniu, sob a relatoria de Dino, inquéritos que tramitavam nas esferas estadual e federal.

Segundo representações da Polícia Federal reproduzidas no despacho, as apurações tratam de um único contexto para captar, movimentar e esconder verbas públicas. Os recursos investigados incluem valores federais de emendas parlamentares e verbas municipais previstas em acordos com a Prefeitura de São Paulo.

Fluxo de recursos entre empresas e entidades

A PF apontou que a Complexsys Soluções Integradas Ltda., contratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) para executar projetos financiados com dinheiro público, recebeu transferências diretas de Mario Frias. Em seguida, a empresa devolvia valores ao ICB e repassava quantias à Academia Nacional de Cultura (ANC), organização administrada pela mesma empresária responsável pelo instituto, Karina Ferreira da Gama.

Karina também foi produtora da cinebiografia de Jair Bolsonaro. De acordo com os investigadores, as movimentações formavam um circuito financeiro fechado. A PF afirmou que a circulação entre o parlamentar, a entidade executora, a empresa contratada e outra organização não seria compatível com relações comerciais independentes e justificadas.

Dados de inteligência financeira citados na decisão indicaram ainda transferências feitas por Mário Frias à Go Up Entertainment Ltda., empresa de propriedade de Karina Gama. Conforme a PF, os valores seriam incompatíveis com os rendimentos declarados pelo deputado e com as receitas habituais de suas contas.

Para os investigadores, esse elemento pode afastar a hipótese de que Frias tenha sido apenas o responsável pelas emendas posteriormente desviadas por terceiros. A PF afirmou que ele aparece como participante ativo das movimentações analisadas.

Apuração em São Paulo

A Operação Wi-Fi, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, identificou possível confusão patrimonial. O ICB, a Go Up Entertainment e a G07 Assessoria tinham o mesmo endereço comercial formal na Avenida Paulista.

Peritos e delegados também apontaram faturas emitidas em sequência na mesma data, com vencimentos iguais, sem comprovação de serviços prestados por empresas subcontratadas. Foram identificadas ainda notas fiscais de R$ 2 milhões canceladas logo depois da emissão perante a Fazenda municipal.

Na última quinta-feira (10), Frias chamou a operação policial de cortina de fumaça. Nas redes sociais, negou irregularidades, disse estar disposto a entregar documentos e afirmou confiar no arquivamento do processo.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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