O Sudeste tem a maior proporção de pessoas com sobrepeso entre as regiões do país e lidera o consumo diário de doces e guloseimas. Ao mesmo tempo, apresenta o segundo menor índice de sedentarismo, segundo pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center realizada pela Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados.
Na região, 41% dos entrevistados estão na faixa de sobrepeso, acima da média nacional, de 37%. Quando sobrepeso e obesidade são considerados em conjunto, 66% estão acima do peso ideal. O excesso de peso é apontado como fator de risco para mais de 10 tipos de câncer, incluindo os de intestino, mama, pâncreas e esôfago.
Hábitos alimentares e atividade física
O consumo diário de doces foi relatado por 16% dos entrevistados do Sudeste. O índice é quatro vezes maior que o registrado no Norte e no Centro-Oeste, de 4%. A região também tem o menor percentual de pessoas que nunca comem frituras: 18%, ante 26% na média nacional.
No Sudeste, 40% afirmam nunca praticar atividade física. No país, o percentual é de 42%. A falta de tempo e o cansaço da rotina de trabalho aparecem como uma das principais dificuldades para manter uma alimentação saudável para 24% dos entrevistados da região. No Nordeste, o principal obstáculo citado é o preço dos alimentos, apontado por 34%.
A nutricionista Drielly Kirmse relaciona o excesso de peso ao alto consumo de produtos industrializados, alimentos falsos fit e álcool, além da falta de planejamento das refeições e do baixo consumo de legumes e frutas.
Riscos à saúde
Antonio Antonietto, diretor médico e de governança clínica do A.C.Camargo Cancer Center, afirma que a pesquisa busca avaliar os hábitos da população porque o excesso de peso e a má alimentação são fatores de risco para o câncer. Segundo ele, parte das pessoas percebe a própria saúde como boa mesmo mantendo hábitos associados a riscos futuros.
A endocrinologista Mariana Guerra, delegada da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) no Estado, afirma que o excesso de peso, especialmente a gordura visceral, também eleva o risco de diabetes, hipertensão e alterações no colesterol. Essas condições contribuem para problemas cardiovasculares, como infarto e AVC.
A pesquisa ouviu 2.015 pessoas com 16 anos ou mais, presencialmente, nas 27 unidades da federação, entre 25 e 30 de junho de 2026.








