Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Saúde

Testosterona baixa pode afetar humor e saúde mental dos homens

Queda hormonal pode estar associada a cansaço, irritabilidade, dificuldade de concentração e maior risco de depressão, segundo estudos citados no texto.

Testosterona baixa pode afetar humor e saúde mental dos homens

A queda progressiva da testosterona ao longo da vida adulta pode afetar a disposição, a cognição e o humor dos homens. Conhecida popularmente como andropausa, a condição é chamada na literatura médica de Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino e costuma evoluir de forma gradual, o que pode dificultar o diagnóstico.

O tema ganha destaque durante o Setembro Amarelo, campanha que reforça a importância de reconhecer sinais de sofrimento emocional e buscar ajuda. Dados do Ministério da Saúde indicam que, em 2021, foram registrados 15.507 óbitos por suicídio no Brasil. Desse total, 12.072 ocorreram entre homens, o equivalente a 77,8%. A taxa de mortalidade masculina chegou a 11,9 por 100 mil habitantes, entre duas e quatro vezes o índice registrado entre mulheres no mesmo período.

Entre 2010 e 2021, a taxa geral de suicídio no país aumentou 42%, conforme o Boletim Epidemiológico sobre mortalidade por suicídio no Brasil.

Efeitos da testosterona baixa

Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, a deficiência de testosterona, quando confirmada por avaliação clínica e exames laboratoriais, pode causar efeitos que não se limitam à vida sexual. Entre eles estão redução da disposição, perda de massa muscular, diminuição da cognição e prejuízos no raciocínio.

Cansaço persistente, irritabilidade, dificuldade de concentração e perda de motivação para tarefas cotidianas também podem aparecer. O urologista Fernando Marsicano afirma que esses sinais merecem investigação, especialmente a partir dos 40 anos, porque podem ser confundidos com estresse ou outras condições de saúde.

Uma pesquisa publicada na Revista da Associação Médica Brasileira encontrou associação inversa entre os níveis de testosterona livre e os sintomas depressivos em homens mais velhos. O estudo também descreveu melhora do humor e de funções cognitivas, como a memória verbal, em pacientes submetidos à reposição hormonal supervisionada.

Uma revisão integrativa publicada em dezembro de 2025 na Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação analisou 17 estudos. Os resultados indicaram que homens com testosterona baixa apresentam aproximadamente o dobro do risco de desenvolver episódios depressivos. Nos casos de depressão subclínica, a reposição hormonal teve taxa de remissão de 52,9%, contra 18,8% no grupo placebo. A eficácia foi mais limitada em quadros de depressão maior já estabelecida.

Avaliação e tratamento

A reposição hormonal deve ser feita com acompanhamento profissional. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, há duas formas aprovadas no Brasil: a injetável e o gel transdérmico. Implantes subdérmicos não têm autorização da Anvisa nem comprovação científica de segurança, segundo a entidade.

O uso indiscriminado de testosterona pode provocar efeitos colaterais graves, como aumento do coração, risco cardiovascular e infertilidade. O diagnóstico depende de exames de sangue específicos, avaliação clínica detalhada e, em muitos casos, investigação de outras causas para sintomas semelhantes, como distúrbios da tireoide e apneia do sono.

O acompanhamento contínuo permite ajustar doses, monitorar a próstata e reduzir riscos durante o tratamento. Homens acima dos 40 anos que percebem mudanças persistentes no humor, na energia ou no desempenho físico devem buscar avaliação hormonal completa antes de atribuir os sintomas apenas ao estresse.

Insônia recorrente, perda de interesse por atividades antes prazerosas, isolamento social e irritabilidade constante são sinais que não devem ser ignorados, sobretudo quando permanecem por semanas. A investigação das causas do mal-estar pode contribuir para um diagnóstico preciso e para uma abordagem integrada, com participação da urologia, da clínica geral e, quando necessário, de profissionais da psicologia ou da psiquiatria.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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