Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Saúde

Ansiedade cresce entre jovens, e médicos alertam para uso de remédios

Dados mostram aumento dos atendimentos e do consumo de medicamentos, enquanto psiquiatras defendem avaliação individual para indicar o tratamento.

Ansiedade cresce entre jovens, e médicos alertam para uso de remédios

O uso de medicamentos para ansiedade aumentou entre jovens e adultos no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde e levantamentos citados por instituições da área. Psiquiatras alertam que a indicação deve considerar o impacto dos sintomas na rotina e que remédios sem avaliação especializada ou usados por períodos inadequados podem trazer problemas.

Entre adolescentes de 15 a 19 anos, os atendimentos relacionados a transtornos de ansiedade no Sistema Único de Saúde (SUS) cresceram 4.423% em 10 anos, de acordo com o Ministério da Saúde. A prevalência também avançou entre pessoas de 18 a 24 anos: chegou a 31,6%, acima da média nacional de 26,8%, conforme a pesquisa Covitel 2023.

A psiquiatra Francislainy Dal’Col relaciona o aumento a dois fatores: a maior ocorrência dos transtornos e o acesso ampliado a informações sobre saúde mental. Para ela, a conscientização faz com que mais pessoas reconheçam sinais e procurem ajuda, embora parte dos pacientes ainda chegue ao atendimento especializado com sintomas mais intensos.

Quando a medicação é indicada

A psiquiatra Janine Moscon afirma que o crescimento dos casos também é percebido entre crianças e adolescentes. Segundo ela, a medicação pode ser indicada quando a ansiedade prejudica as relações, os estudos, o trabalho ou provoca sintomas físicos que paralisam o paciente.

José Luís Leal de Oliveira, vice-presidente da Associação Psiquiátrica do Espírito Santo (Apes), afirma que o ponto de atenção não é apenas o aumento do uso, mas a forma como os medicamentos são utilizados. “Preocupa quando a gente observa uso de medicação sem avaliação psiquiátrica”, disse.

Relatos de pacientes mostram diferentes situações associadas ao início do tratamento. Uma estudante de 14 anos apresentou choro compulsivo, tremores, rigidez nos membros e arrancamento dos próprios cabelos após estresse relacionado ao desempenho escolar e bullying. Ela começou a tomar remédio depois de oito meses de psicoterapia.

Uma estudante de 24 anos passou a buscar atendimento psiquiátrico após crises de falta de ar, dores de cabeça, choro e tremores relacionadas ao início da graduação e à perda da avó. Outra mulher, também de 24 anos, iniciou a medicação depois de crises recorrentes durante a pandemia, com palpitação, choro e falta de ar. Ela também citou a separação dos pais como gatilho.

Uma secretária de 25 anos relatou piora da ansiedade após o divórcio dos pais. Além do acompanhamento com psiquiatra e psicólogo, ela usa medicação há quatro meses e afirma ter percebido medo de cometer algo contra a própria vida e queda capilar.

Saúde mental entre os principais problemas

O Ipsos Health Service Report 2025 aponta que 52% dos brasileiros consideraram a saúde mental o principal problema de saúde do país. Em 2018, esse índice era de 18%, uma diferença de 34 pontos percentuais em sete anos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta o Brasil como o país com maior prevalência de ansiedade. Ainda assim, somente 5,1% dos brasileiros fazem tratamento com psicoterapia.

Segundo a pesquisa Ipsos, 45% dos entrevistados disseram sofrer de ansiedade. O índice foi de 55% entre mulheres e de 65% entre jovens de 18 a 24 anos. Em 2025, 70% dos brasileiros ouvidos disseram ter enfrentado, no último ano, ao menos uma situação de estresse tão intenso que sentiram não conseguir lidar com as coisas.

O levantamento também indica que 74% dos brasileiros pensam frequentemente sobre o próprio bem-estar mental, o terceiro maior índice entre 30 países. Já o Instituto Cactus aponta que 16,6% da população faz uso de remédios, e que 77,7% dessas pessoas utilizam os medicamentos há mais de um ano.

O consumo de antidepressivos entre adultos de 29 a 58 anos aumentou 12,4%, segundo a Funcional Health Tech. Uma pesquisa da The School of Life mostrou que, em 2025, 52% dos líderes e 59% dos liderados brasileiros recorreram a psicofármacos para lidar com estresse, ansiedade e burnout. Entre 2018 e 2023, os atendimentos por ansiedade no SUS cresceram 240%, conforme o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS).

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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