O alívio rápido dos sintomas de ansiedade não significa que as causas do problema estejam sendo tratadas. Psiquiatras alertam que o uso prolongado e inadequado de benzodiazepínicos, como diazepam, clonazepam e alprazolam, pode levar à dependência. A psicoterapia e a avaliação profissional são apontadas como partes importantes do cuidado.
Esses medicamentos começam a agir em minutos, o que ajuda a explicar por que continuam sendo procurados por pessoas com ansiedade. Estima-se que cerca de 50 milhões de pessoas usem benzodiazepínicos diariamente no mundo. A maior prevalência está entre mulheres acima de 50 anos com problemas médicos e psiquiátricos crônicos.
“Essas medicações dão alívio imediato, mas não tratam a causa e criam dependência com uso prolongado”, explica o psiquiatra José Luís Leal de Oliveira, vice-presidente da Associação Psiquiátrica do Espírito Santo (Apes). Segundo ele, o alívio imediato e o tratamento da ansiedade são objetivos diferentes.
Tempo de resposta e duração do tratamento
A maioria dos medicamentos usados contra ansiedade e depressão leva de duas a seis semanas para atingir o efeito pleno. Nos primeiros dias, pode haver desconforto. O psiquiatra José Luís Leal compara esse processo ao uso de um antibiótico, que precisa de tempo e regularidade para agir, e não ao de um analgésico para dor de cabeça.
O psiquiatra Anderson Dondoni Lovatti afirma que muitas medicações precisam ser reavaliadas depois de no mínimo três a quatro semanas. Em alguns casos, essa avaliação ocorre entre seis e oito semanas. O período adequado depende da situação de cada paciente, do número de crises, de tratamentos anteriores e da decisão tomada na consulta psiquiátrica.
O tratamento medicamentoso não tem um prazo máximo definido. Anderson Dondoni Lovatti explica que é necessário manter a medicação por pelo menos 12 meses depois da melhora do quadro. Em alguns casos, a pessoa melhora após seis meses, mas o risco de recaída e de retorno dos sintomas é maior.
A retirada dos remédios deve ser feita com cautela, normalmente por meio da redução gradual das doses, em um processo conhecido como desmame. A orientação deve ser dada pelo médico psiquiatra. Há pessoas que desenvolvem transtorno de ansiedade crônico e precisam de tratamento por mais tempo, inclusive ao longo da vida. Nesses casos, a busca é pela remissão completa dos sintomas.
Psicoterapia e avaliação dos sintomas
José Luís Leal ressalta que a medicação não substitui a psicoterapia. O remédio pode reduzir a intensidade dos sintomas e permitir que a pessoa trabalhe as causas do sofrimento. A combinação dos dois tratamentos pode ser indicada em muitos casos. A psicoterapia é considerada o primeiro pilar, mas a medicação pode ser necessária quando a ansiedade é intensa, persistente e compromete a vida.
A psicóloga Karla Cardozo também alerta que nem toda emoção desagradável representa um transtorno. Ansiedade antes de uma entrevista de emprego, medo diante de uma mudança ou sofrimento após uma separação podem fazer parte da experiência humana.
O sinal de atenção aparece quando a ansiedade deixa de ser proporcional à situação e passa a limitar a rotina. Deixar de sair, trabalhar, estudar, se relacionar ou realizar atividades importantes para evitar qualquer desconforto indica a necessidade de uma avaliação mais cuidadosa.
A ansiedade não precisa desaparecer completamente para que exista uma relação saudável com ela. A emoção pode preparar a pessoa para situações importantes. O problema surge quando a vida começa a ser organizada para impedir qualquer contato com a ansiedade. Segundo Karla, evitar repetidamente aquilo que provoca medo pode fazer o cérebro interpretar a situação como perigosa e fortalecer o receio.
A terapia pode ajudar a pessoa a tolerar algum desconforto e seguir em frente mesmo quando sente ansiedade. O principal motivo para buscar ajuda é a combinação entre sofrimento e prejuízo na vida cotidiana, incluindo relacionamentos, trabalho, estudos, sono e outras atividades. A avaliação médica define quando a medicação é necessária; em outras situações, o cuidado pode envolver psicoterapia, atividade física, melhora do sono e mudanças de hábitos.








