A formação de pedras nos rins pode atingir entre 5% e 15% da população em algum momento da vida. O problema é mais frequente entre 30 e 60 anos, e a possibilidade de recorrência chega a 50% em cinco anos para quem já teve um cálculo.
O risco estimado é de 12% a 13% entre os homens e de 6% a 7% entre as mulheres. Por isso, reconhecer as características da dor e investigar suas causas são medidas importantes, especialmente quando os sintomas não desaparecem.
Como identificar a cólica renal
A dor causada por um cálculo costuma começar de maneira súbita e intensa. Ela pode ocorrer em ondas, não costuma melhorar com uma posição específica e pode se espalhar para o abdômen ou para a virilha. Náuseas e alterações na urina também podem aparecer.
Já a dor relacionada à musculatura tende a limitar determinados movimentos e pode melhorar com o repouso. Para Luís César Zaccaro, urologista, uro-oncologista e cirurgião robótico, a maneira como o incômodo começa e evolui ajuda a indicar a necessidade de investigação.
“A dor provocada pelo cálculo costuma ter um padrão bastante característico. Geralmente começa de forma súbita e intensa, não encontra uma posição de alívio e pode vir em ondas, irradiando para o abdômen ou para a virilha”, explica o médico.
Quando o cálculo bloqueia a passagem da urina, esperar que os sintomas desapareçam sozinhos pode atrasar o diagnóstico e a definição do tratamento. A avaliação deve considerar o tamanho e a localização da pedra, a presença de obstrução e as condições do paciente.
Calor, alimentação e risco de formação
As temperaturas elevadas podem favorecer crises e novos cálculos. Durante o verão, a incidência pode crescer cerca de 30%, principalmente porque a transpiração aumenta a perda de líquidos. Sem reposição adequada, a urina fica mais concentrada, o que facilita a formação dos cristais.
Um estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) relacionou cada aumento de 1°C na temperatura ambiente a uma elevação de até 4% no risco de cálculos renais.
A alimentação também merece atenção. O consumo excessivo de sódio aumenta a eliminação de cálcio pela urina. O excesso frequente de proteínas é outro fator que deve ser considerado, sobretudo por pessoas com predisposição ao problema.
O que ajuda a prevenir
Beber água regularmente, reduzir o sal e evitar excessos alimentares estão entre as medidas indicadas pelo urologista. A recomendação geral é ingerir pelo menos dois litros de água por dia, com ajustes de acordo com as necessidades individuais e as condições climáticas. A prática de atividades físicas também faz parte da prevenção.
A ingestão de líquidos, porém, exige cuidado durante uma crise. Embora a hidratação seja importante para evitar a formação de cálculos, beber grandes volumes de água diante de uma obstrução aguda não garante a eliminação da pedra. A hiper-hidratação pode aumentar a pressão no rim e intensificar a dor.
Leite não deve ser retirado sem orientação
Mesmo que muitas pedras contenham cálcio, excluir leite e derivados da dieta por conta própria não é recomendado. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a restrição indiscriminada de cálcio pode favorecer, em alguns pacientes, a formação de cálculos de oxalato.
A prevenção precisa levar em conta a composição da pedra, as condições metabólicas e o histórico de cada pessoa. Quem já passou por um episódio deve investigar as causas da formação do cálculo e manter acompanhamento médico para definir medidas que reduzam o risco de novos casos.







