Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Saúde

Prevenção da demência exige cuidados ao longo de toda a vida

Mudanças de hábitos, controle de doenças crônicas e diagnóstico precoce estão entre as medidas apontadas por especialistas.

Prevenção da demência exige cuidados ao longo de toda a vida

Mais de 2,7 milhões de brasileiros acima dos 60 anos vivem com demência, segundo estimativa. A previsão do Consenso Delphi é de que o número passe de 5,5 milhões em 2039. Na América Latina, a prevalência subiu de 10,6% em 2003-2006 para 16,9% em 2016-2020, conforme estudo publicado na Jama Neurology.

A prevenção continua sendo um desafio porque depende de escolhas individuais e de políticas públicas que ampliem o acesso à informação, ao controle de doenças crônicas e à identificação dos primeiros sinais. Especialistas defendem que os cuidados com a saúde cerebral comecem antes da velhice.

Hábitos e fatores de risco

O neurologista Victor Saddeh, da MedSênior, afirma que há fatores modificáveis capazes de influenciar a vulnerabilidade à demência. Entre eles estão pressão alta, diabetes, níveis elevados de colesterol, excesso de peso, falta de atividade física, cigarro, ingestão excessiva de álcool, problemas de audição e visão sem tratamento, depressão, pouca convivência social e baixa atividade intelectual.

Também pesam as condições socioeconômicas, como menor escolaridade e dificuldade para conseguir prevenção, diagnóstico e acompanhamento adequado de doenças crônicas. Para Saddeh, a prevenção deve considerar toda a trajetória de vida, e não apenas o período depois dos 60 ou 70 anos.

A geriatra Fernanda Sperandio, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do Espírito Santo (SBGG-ES), afirma que não existe uma causa isolada para o desenvolvimento das demências. Entre as medidas recomendadas estão fazer atividade física regularmente, não fumar, limitar o álcool, manter alimentação equilibrada, controlar o peso, a pressão arterial, a glicemia e o colesterol, além de preservar a vida intelectual e social.

Diagnóstico e tratamento

No Brasil, 80% dos casos de demência permanecem sem diagnóstico, conforme o Relatório Nacional sobre a Demência. Sinais como esquecimentos que atrapalham a rotina, dificuldade para cuidar de dinheiro ou remédios, perda de autonomia, alterações na linguagem e mudanças relevantes de comportamento devem ser avaliados por um especialista.

O diagnóstico precoce ajuda a identificar a causa do comprometimento cognitivo, verificar condições tratáveis, controlar fatores de risco, organizar o atendimento e orientar a família. Fernanda Sperandio também defende que a demência seja incluída de maneira mais estruturada nas políticas de saúde ao longo da vida, e não tratada apenas como uma condição da velhice.

O tratamento pode envolver diferentes áreas. Segundo a neurocirurgiã Vanessa Milanese, diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, algumas medicações ajudam no controle dos sintomas, enquanto a reabilitação cognitiva, conduzida pela neuropsicologia, trabalha capacidades como atenção e linguagem.

A médica também cita pesquisas com neuromodulação, especialmente por métodos não invasivos, para estimular regiões do cérebro ligadas à cognição. Em pessoas com comprometimento cognitivo leve, essa abordagem pode ajudar.

O que caracteriza a demência

Demência é o nome dado a um conjunto de sintomas provocados por distúrbios que afetam o cérebro e podem comprometer memória, pensamento, comportamento e emoções. A doença de Alzheimer é a forma mais comum e corresponde a 50% a 60% dos casos. Também existem as formas vascular, de corpos de Lewy e fronto-temporal.

Estimativas indicam que 1,7 milhão das pessoas com demência no Brasil têm Alzheimer. Dois terços dos diagnosticados são mulheres. Aos 65 anos, o risco estimado é de 1 em cada 5 mulheres e de 1 em cada 10 homens.

Aproximadamente 50% dos casos poderiam ser potencialmente evitados com o controle de fatores de risco. Entre eles estão menor escolaridade, colesterol LDL elevado, lesão cerebral traumática, poluição do ar e problemas de visão ou audição sem tratamento, além de depressão, sedentarismo, tabagismo, diabetes, hipertensão, obesidade, consumo excessivo de álcool e isolamento social.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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