O banho de floresta, conhecido originalmente como Shinrin-yoku, é uma prática japonesa criada nos anos 1980 que propõe uma pausa consciente em ambientes naturais. A ideia é diminuir o ritmo e direcionar a atenção para o que acontece ao redor e no próprio corpo, em vez de tratar o momento como caminhada, trilha ou exercício físico.
A prática envolve visão, audição, olfato, tato e paladar. Sons, cheiros, movimentos, temperatura, luminosidade e texturas passam a ser observados com mais atenção. Para reduzir distrações, a orientação é deixar o celular desligado ou guardado durante a experiência.
O que as pesquisas indicam
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2026, resultado de uma parceria entre a Fiocruz e o Instituto Brasileiro de Ecopsicologia, relacionou a prática a respostas como menor frequência cardíaca, tensão, ansiedade, desânimo, depressão, raiva, hostilidade, fadiga e confusão. O estudo também registrou aumento do vigor e da percepção de restauração.
Marco Aurélio Bilibio Carvalho, diretor do Instituto Brasileiro de Ecopsicologia, afirma que os resultados são promissores, mas que ainda são necessários estudos mais rigorosos, com acompanhamento de longo prazo e realizados em diferentes biomas. As evidências, portanto, continuam em construção.
Para Aurélio Matos Andrade, pesquisador colaborador na Fiocruz – Fundação Oswaldo Cruz Brasília e doutor em Ciências Médicas pela Universidade de Brasília, o contato com a natureza pode influenciar o equilíbrio do sistema nervoso autônomo. A hipótese é de maior atividade parassimpática, ligada ao repouso e à recuperação, e menor ativação simpática, associada ao alerta e ao estresse.
Onde praticar
Uma floresta pode ser difícil de acessar para quem vive longe desses ambientes. Ainda assim, a experiência não depende necessariamente de uma grande área verde. Parques, praças, jardins e até uma árvore no caminho podem oferecer oportunidades de pausa e observação.
Carvalho cita relatos e pesquisas sobre experiências com uma única árvore e com um bonsai. Em um dos estudos mencionados por ele, observar a planta por um minuto levou o organismo em direção a um estado fisiológico relacionado ao relaxamento, em vez da resposta de alerta associada ao estresse.
A floresta reúne uma diversidade maior de estímulos visuais, sonoros, olfativos e táteis, mas a proposta central é a mesma em espaços menores: interromper temporariamente a lógica de produtividade e voltar a atenção para o momento presente e para as sensações do corpo.







