A alimentação pode influenciar sintomas associados ao TDAH e ao autismo, mas não substitui o tratamento dessas condições. Entre os desafios mais comuns estão a seletividade alimentar, a dificuldade para manter uma rotina de refeições e o uso da comida como forma de regulação emocional.
Dietas com muitos ultraprocessados, açúcar refinado e aditivos químicos aparecem associadas ao aumento de hiperatividade, desatenção e impulsividade. Uma pesquisa publicada na Revista de Saúde Pública em 2024 relacionou o consumo precoce de ultraprocessados ao aumento de sintomas de hiperatividade e desatenção durante a adolescência.
Nutrientes e TDAH
Parte dessa relação é estudada por meio do eixo intestino-cérebro, uma via de comunicação entre a microbiota intestinal e o sistema nervoso central. Desequilíbrios na microbiota estão associados a alterações nos níveis de dopamina e serotonina, neurotransmissores envolvidos nas funções afetadas pelo TDAH.
O ômega 3, encontrado em sardinha, salmão, chia e linhaça, é um dos nutrientes mais estudados nesse contexto. Deficiências estão associadas à piora dos sintomas, enquanto a suplementação com EPA e DHA produz melhora mensurável na atenção e no controle de impulsos.
Ferro, zinco e magnésio também aparecem com frequência em estudos sobre o transtorno. A deficiência desses minerais está ligada à piora da função executiva, que envolve planejar, organizar e regular o comportamento. Esses micronutrientes participam da síntese e da regulação dos neurotransmissores relacionados ao TDAH.
Seletividade alimentar no autismo
No Transtorno do Espectro Autista, a alimentação costuma ser afetada por sensibilidades a textura, cheiro, cor, temperatura ou consistência. Essas experiências podem levar a padrões alimentares restritos e, como consequência, a deficiências nutricionais.
A dieta sem glúten e sem caseína, que elimina trigo e laticínios, é a intervenção dietética mais estudada. Alguns pais relatam melhora no comportamento e na comunicação dos filhos, mas não há consenso para recomendá-la como protocolo universal. Retirar grupos alimentares sem orientação pode agravar deficiências em pessoas que já têm alimentação limitada.
A recomendação é buscar uma abordagem individualizada, com avaliação nutricional e acompanhamento de nutricionista especializado em saúde mental e neurodivergência. A alimentação pode favorecer o equilíbrio da microbiota, reduzir a inflamação e garantir nutrientes necessários ao funcionamento do cérebro, mas não trata TDAH nem autismo isoladamente.







