A família Gilinski, considerada a mais rica da Colômbia, firmou com a PDVSA um contrato de participação produtiva de 25 anos para o bloco de Bare, na Bacia do Orinoco, na Venezuela. O ativo produz atualmente cerca de 11 mil barris por dia e será operado pela GeoPark, empresa independente de óleo e gás que tem ativos na Colômbia e em Vaca Muerta, na Argentina.
A operação fará com que os Gilinski passem a controlar a GeoPark. A empresa terá inicialmente 5% da companhia que será sócia do bloco venezuelano e comprará os 95% restantes, pertencentes à família, por meio da emissão de 42 milhões de novas ações. Com isso, os Gilinski ficarão com 56% da GeoPark, enquanto os demais acionistas serão diluídos.
Oferta aos acionistas
As novas ações serão emitidas a US$ 12,22 cada, valor que representa um prêmio de 26% sobre a cotação média dos últimos 30 dias. A família também se comprometeu a fazer uma oferta voluntária aos acionistas que quiserem deixar o negócio, pelo mesmo preço, limitada a US$ 100 milhões.
A ação da GeoPark encerrou o dia em alta de 1,8%, a US$ 11,90, depois de alcançar US$ 13,13 na máxima, após o anúncio do acordo. A companhia informou que a transação foi aprovada pelo conselho em uma reunião na qual os indicados da família não participaram da votação.
A GeoPark afirmou que os termos consideram o risco-país da Venezuela e permitem uma entrada estratégica no mercado local. A empresa também declarou que o ativo tem potencial de aumento da produção ao longo de décadas.
Produção e estrutura do contrato
A projeção é que os campos de Bare atinjam um pico entre 85 mil e 95 mil barris por dia depois dos investimentos. Somando a incorporação do bloco ao crescimento da produção em Vaca Muerta, a GeoPark estima alcançar entre 75-85 mil barris por dia em 2030, aproximadamente 2,7 vezes os níveis atuais.
No modelo de contrato de participação produtiva, recém-aprovado na Venezuela, a GeoPark será responsável por financiar 100% dos investimentos de capital e terá participação efetiva de 65% no ativo. A parcela restante ficará com a PDVSA.
O CEO da GeoPark, Felipe Bayon, disse que “a reativação do setor de energia venezuelano representa uma das mais importantes oportunidades industriais da América Latina”. Segundo ele, o ativo tem escala, infraestrutura existente, histórico de produção e potencial de retomada.
A oferta dos Gilinski avalia a GeoPark em 4,1x EV/EBITDA, ante 3,5x pela cotação atual. Já os barris venezuelanos são avaliados em 2,1x EBITDA para a produção prevista em 2027-2029, considerando um Brent de US$ 75 por barril, e em 0,7x para a produção esperada entre 2030-2051.
O BTG Pactual assessorou a GeoPark. A PwC prestou assessoria tributária, enquanto Cleary Gottlieb e Baker McKenzie atuaram como assessores jurídicos. A família Gilinski entrou no setor de energia em março, quando comprou 20% da GeoPark. O grupo também controla o Metro Bank, empresas financeiras, o grupo de alimentos Nutresa, negócios imobiliários e um grupo de mídia.








