PARÁ — Trabalhadores de bancos públicos e privados do Pará iniciam, à meia-noite desta sexta-feira (4), uma greve por tempo indeterminado. A paralisação foi aprovada depois que a categoria rejeitou, em assembleia na última segunda-feira (31), a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para a campanha salarial de 2026.
A estimativa do Sindicato dos Bancários do Pará é que o movimento alcance cerca de 7 mil empregados, em 470 agências e 1.535 postos de atendimento no estado. O Banpará não participa da greve porque seus funcionários já aprovaram um Acordo Coletivo de Trabalho.
Os pontos de concentração e a relação das unidades que vão aderir serão informados nas primeiras horas de sexta-feira, de acordo com o sindicato. A entidade afirma que a proposta econômica da Fenaban não corresponde aos resultados do setor.
Reajuste e reivindicações
A oferta prevê a reposição da inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), com acréscimo de 0,6% de aumento real em 2026 e 2027. A mesma correção seria aplicada aos vales-alimentação e refeição, ao auxílio-creche e à Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
O índice oficial referente à data-base de 1º de setembro será divulgado no próximo dia 11. A previsão é de que o INPC fique perto de 4%, levando o reajuste total para aproximadamente 4,6%.
O sindicato também aponta que Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Santander registraram, juntos, R$ 124 bilhões de lucro líquido em 2025. Segundo a entidade, desde 2016 o setor cortou mais de 83,5 mil empregos e, desde 2015, fechou mais de 8,5 mil agências. Com isso, a rede física teria diminuído 37%.
A negociação nacional inclui ainda medidas sobre saúde mental, assédio moral e sexual, monitoramento digital e direito à desconexão. A Fenaban propôs também abonar o dia de paralisação de 20 de agosto para as bases que aprovarem o acordo coletivo.
Negociação no Banco da Amazônia
Os empregados do Banco da Amazônia (Basa) seguem em tratativas específicas. Em uma assembleia virtual na noite de sexta-feira (4), decidirão sobre a proposta da direção da instituição.
O pacote inclui o reajuste negociado pela Fenaban, antecipação da PLR de 2026, possibilidade de suspender empréstimos consignados por até seis meses mediante solicitação, ampliação de programas de saúde e qualidade de vida, 430 vagas de capacitação e compromisso de concurso público para cadastro de reserva em 2027.
Até o momento, a Fenaban não apresentou uma nova proposta para encerrar a mobilização nacional.








