Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Finanças da casa

Selic pode chegar perto de 10% ao ano, mas queda deve ser gradual

Economista-chefe do Banco BV avalia que ainda há espaço para cortes, embora inflação, petróleo, dólar e clima limitem o ritmo.

A taxa Selic ainda pode cair, mas o ciclo de redução deve ocorrer de forma mais lenta do que o mercado esperava. A avaliação é de Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV, para quem os juros podem se aproximar de 10% ao ano no longo prazo, desde que aumente a confiança de que a inflação convergirá para a meta.

Hoje, a taxa básica está em 14% ao ano. Padovani afirmou que existe espaço para cortes por causa da perda de força da economia, mas não para uma redução ampla. “Então, ainda tem algum espaço para cortes em função da moderação no ritmo de crescimento da economia. Mas assim, não tem espaço para muito corte”, disse.

A projeção de Selic terminal de 2026 do banco BC é de 13,75% ao ano. Nesse cenário, o Banco Central faria apenas mais um corte, de 0,25 ponto percentual, na reunião da próxima semana.

Inflação limita o ritmo de queda

A inflação continua desacelerando, mas o cenário ficou mais complexo. Entre os fatores apontados por Padovani estão a alta do petróleo, as oscilações do dólar, possíveis pressões sobre os preços de energia e os efeitos do El Niño sobre os alimentos.

A guerra entre Estados Unidos e Irã também alterou as expectativas no início do ano. Para o economista, a alta do petróleo tornou mais lento o recuo da inflação em várias partes do mundo, incluindo o Brasil.

Embora esses fatores pudessem justificar uma elevação dos juros, a avaliação é que a Selic já está em nível muito alto. Por isso, o Banco Central não precisaria aumentar a taxa, mas teria de agir com cautela para conduzir a inflação à meta de 3%.

Em vez de antecipar uma sequência de cortes, a tendência seria avaliar os dados econômicos a cada reunião. Para Padovani, a possibilidade de levar a Selic a um dígito existe, mas não no curto prazo. A autoridade monetária não precisaria fazer a inflação chegar a 3% imediatamente; bastaria haver confiança de que isso ocorrerá no futuro.

Federal Reserve e França entre os “Ursos”

No quadro final do podcast Touros e Ursos, Padovani apontou o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, entre os destaques negativos. Segundo ele, a instituição pode voltar a elevar os juros nos próximos meses, o que costuma dificultar as condições para mercados emergentes como o Brasil.

A França também foi citada por causa da piora das contas públicas, do aumento da dívida e dos juros dos títulos do governo. Entre os destaques positivos, o economista mencionou a expectativa de corte da Selic e o Tesouro IPCA+, que registrou valorização em agosto após meses pagando taxas recordes.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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