A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (22), reconheceu novos sinais de desaceleração da economia, mas não indicou que o Banco Central pretende acelerar os cortes da Selic. A taxa foi reduzida para 13,75% ao ano na semana passada.
O documento aponta perda de força da atividade econômica, desaceleração do crédito e queda da inflação. Para os economistas, esses fatores abrem espaço para a continuidade do ciclo de cortes, mas não representam uma indicação de que o ritmo será ampliado.
Crédito e inflação mostram efeitos dos juros altos
O Copom deu destaque ao comportamento do crédito livre, modalidade em que os bancos definem as condições dos empréstimos. Segundo a ata, as operações de prazo mais longo e mais sensíveis aos juros estão perdendo ritmo.
A economia também desacelerou com mais intensidade nos setores que dependem do ciclo econômico. Para Caio Megale, economista-chefe da XP, esse trecho foi a principal novidade do documento e reforça a percepção de que a atividade entrou em uma fase mais clara de perda de força.
A ata também informou que o índice cheio de inflação e a média dos núcleos desaceleraram. Os dois indicadores estão abaixo do teto da meta, de 4,5%, mas ainda permanecem acima do centro do objetivo do Banco Central, de 3%.
Apesar da melhora nos indicadores atuais, as expectativas para a inflação futura continuam acima da meta em todos os horizontes analisados. Essa é a principal preocupação do Copom, porque o Banco Central busca convencer empresas, consumidores, investidores e economistas de que a inflação retornará à meta nos próximos anos.
Riscos mantêm o Banco Central em alerta
Entre os fatores que podem pressionar os preços estão a alta do petróleo e de seus derivados, os efeitos do El Niño sobre a produção de alimentos, um possível enfraquecimento do real diante do dólar e estímulos do governo à demanda que dificultem o trabalho do Banco Central.
Alberto Ramos, economista-chefe do Goldman Sachs para a América Latina, avaliou a ata como amplamente neutra em relação aos próximos passos. Para ele, o Banco Central reconhece a desaceleração da atividade e os efeitos da política monetária, mas continua preocupado com as expectativas de inflação e com um balanço de riscos desfavorável.
Mercado espera novo corte
A ata não trouxe uma indicação clara para a reunião de novembro. O Copom repetiu que poderá ajustar o ritmo de calibragem dos juros conforme a evolução do cenário econômico, mantendo abertas as possibilidades para as próximas decisões.
Diogo Guillen, economista-chefe do Itaú Unibanco, afirmou que o documento preserva a “opcionalidade” do Banco Central. A XP, porém, continua projetando um corte de 0,25 ponto percentual em novembro, com base na expectativa de que a atividade perca força nos próximos meses.
O Relatório Focus de ontem (21) passou a indicar uma Selic de 13,50% ao ano em 2026. Até a semana passada, antes da reunião do Copom, a projeção era de 13,75% ao final deste ano. A estimativa representa a expectativa de pelo menos mais um corte de 0,25 ponto percentual neste ano, em novembro ou dezembro.
Para o investidor, a leitura é que o ciclo de cortes continua possível, mas em passos de 0,25 ponto percentual, sem sinal claro de aceleração.







