Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Finanças da casa

Ata do Copom aponta desaceleração, mas mantém cautela sobre novos cortes da Selic

Banco Central reconhece perda de força da economia, mas mantém preocupação com expectativas de inflação e riscos para os preços.

Ata do Copom aponta desaceleração, mas mantém cautela sobre novos cortes da Selic

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (22), reconheceu novos sinais de desaceleração da economia, mas não indicou que o Banco Central pretende acelerar os cortes da Selic. A taxa foi reduzida para 13,75% ao ano na semana passada.

O documento aponta perda de força da atividade econômica, desaceleração do crédito e queda da inflação. Para os economistas, esses fatores abrem espaço para a continuidade do ciclo de cortes, mas não representam uma indicação de que o ritmo será ampliado.

Crédito e inflação mostram efeitos dos juros altos

O Copom deu destaque ao comportamento do crédito livre, modalidade em que os bancos definem as condições dos empréstimos. Segundo a ata, as operações de prazo mais longo e mais sensíveis aos juros estão perdendo ritmo.

A economia também desacelerou com mais intensidade nos setores que dependem do ciclo econômico. Para Caio Megale, economista-chefe da XP, esse trecho foi a principal novidade do documento e reforça a percepção de que a atividade entrou em uma fase mais clara de perda de força.

A ata também informou que o índice cheio de inflação e a média dos núcleos desaceleraram. Os dois indicadores estão abaixo do teto da meta, de 4,5%, mas ainda permanecem acima do centro do objetivo do Banco Central, de 3%.

Apesar da melhora nos indicadores atuais, as expectativas para a inflação futura continuam acima da meta em todos os horizontes analisados. Essa é a principal preocupação do Copom, porque o Banco Central busca convencer empresas, consumidores, investidores e economistas de que a inflação retornará à meta nos próximos anos.

Riscos mantêm o Banco Central em alerta

Entre os fatores que podem pressionar os preços estão a alta do petróleo e de seus derivados, os efeitos do El Niño sobre a produção de alimentos, um possível enfraquecimento do real diante do dólar e estímulos do governo à demanda que dificultem o trabalho do Banco Central.

Alberto Ramos, economista-chefe do Goldman Sachs para a América Latina, avaliou a ata como amplamente neutra em relação aos próximos passos. Para ele, o Banco Central reconhece a desaceleração da atividade e os efeitos da política monetária, mas continua preocupado com as expectativas de inflação e com um balanço de riscos desfavorável.

Mercado espera novo corte

A ata não trouxe uma indicação clara para a reunião de novembro. O Copom repetiu que poderá ajustar o ritmo de calibragem dos juros conforme a evolução do cenário econômico, mantendo abertas as possibilidades para as próximas decisões.

Diogo Guillen, economista-chefe do Itaú Unibanco, afirmou que o documento preserva a “opcionalidade” do Banco Central. A XP, porém, continua projetando um corte de 0,25 ponto percentual em novembro, com base na expectativa de que a atividade perca força nos próximos meses.

O Relatório Focus de ontem (21) passou a indicar uma Selic de 13,50% ao ano em 2026. Até a semana passada, antes da reunião do Copom, a projeção era de 13,75% ao final deste ano. A estimativa representa a expectativa de pelo menos mais um corte de 0,25 ponto percentual neste ano, em novembro ou dezembro.

Para o investidor, a leitura é que o ciclo de cortes continua possível, mas em passos de 0,25 ponto percentual, sem sinal claro de aceleração.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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