O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (16), foi o quinto corte consecutivo e era esperada por 97% dos agentes financeiros consultados.
A taxa voltou ao patamar de agosto de 2022, quando 13,75% era o teto do ciclo de alta. O nível permaneceu até agosto de 2023, quando o Copom cortou os juros para 13,25%. Desde janeiro, a Selic acumula queda de 1,25 ponto percentual no atual ciclo de “calibração”, como o Banco Central denomina o processo.
Inflação e atividade econômica
O comunicado do Copom apontou moderação gradual da atividade econômica, principalmente nos setores mais cíclicos. Os dados recentes também mostraram desaceleração da inflação cheia e da média das medidas secundárias, que ficaram abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, de 4,5%, embora ainda acima da meta de 3%.
A atividade econômica apresentou uma trajetória de desaceleração consistente no acumulado de 2026. Mesmo assim, os diretores avaliaram que o risco de alta da inflação continua maior que o risco de enfraquecimento da economia. Entre as preocupações estão o preço do petróleo, o fenômeno El Niño, a resistência dos preços dos serviços e possíveis efeitos do cenário externo sobre o câmbio.
O Copom não indicou se manterá o ritmo de cortes. O comitê afirmou que a magnitude total do ciclo será definida com base em novas informações, para buscar a convergência da inflação à meta. A política fiscal doméstica e seus efeitos sobre a política monetária e os ativos financeiros também continuarão sob acompanhamento.
A cotação do petróleo superou US$ 100 no mercado internacional, enquanto o El Niño pode afetar a oferta de alimentos. As eleições presidenciais também foram citadas como fator capaz de influenciar as expectativas do mercado para a economia.
Expectativas para os próximos meses
Em pesquisa do BTG Pactual com 70 participantes do mercado, 74% esperavam pelo menos mais um corte de 0,25 p.p. Apenas 23% projetavam a manutenção da Selic em 13,75% nos meses de novembro e dezembro.
A equipe de macroeconomia do BTG Pactual avaliou que uma pausa permitiria analisar os efeitos desses fatores sobre os preços. A Bradesco Asset, por outro lado, considerou que a influência dos eventos pode ser passageira e não alterar as projeções de inflação no horizonte de 18 meses usado pelo Copom.
Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, espera manutenção dos juros em novembro e dezembro. Ele citou a inflação acumulada em 12 meses acima da meta, em 4,22%, a alta dos juros nos Estados Unidos e as eleições como razões para uma pausa. Para Trevisan, os títulos pós-fixados continuam adequados ao cenário, enquanto prefixados e ações podem perder força se a Selic ficar estável.
A ASA interpretou o comunicado como compatível com novos cortes de 0,25 p.p. nas próximas duas reuniões do ano. Já José Áureo, sócio da Blue3 Investimentos, afirmou que os próximos dados de inflação e atividade serão decisivos e projetou volatilidade para a bolsa, o câmbio e os juros.







