O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a leitura do mercado sobre a Selic está migrando gradualmente para um cenário de desaceleração. A taxa está em 13,75%, e a precificação de possíveis cortes tem mudado conforme a divulgação de novos dados.
A declaração foi dada em coletiva sobre o Relatório de Política Monetária nesta quinta-feira (24). Galípolo também falou sobre crédito, fiscalização do sistema financeiro e os casos envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Juros e interpretação dos dados
Segundo Galípolo, o Brasil convive historicamente com juros mais altos do que outros países, entre outras razões, por causa da indexação da economia brasileira, que gera inércia.
O presidente do BC defendeu que a autoridade monetária não adote uma visão limitada nas decisões. Ele comparou essa postura à figura mitológica do ciclope, que enxerga com apenas um olho, e afirmou que períodos de grande incerteza exigem humildade na interpretação dos dados.
Crédito considerado predatório
Galípolo disse que o Banco Central pretende limitar ofertas de crédito consideradas predatórias. Ele se referiu a linhas mais caras oferecidas a pessoas que poderiam ter acesso a modalidades mais adequadas às suas necessidades, muitas vezes sem clareza sobre os riscos envolvidos.
A autarquia observa experiências internacionais para calibrar medidas macroprudenciais. A implementação, porém, não será feita de uma só vez, mas de forma gradual, em linha com o que o BC já vem publicando.
A preocupação não se restringe aos cartões de crédito e abrange as modalidades de crédito em geral. Galípolo diferenciou o financiamento imobiliário, usado pela família para adquirir um imóvel, do parcelamento de gastos cotidianos. “O problema é o risoto seis vezes sem juros. Aí você tem um problema”, afirmou.
Depoimento sobre o Banco Master
Galípolo confirmou que recebeu uma intimação da Polícia Federal para depor sobre a fiscalização do Banco Master. Ele disse não se lembrar da data exata, mas informou que o depoimento deve ocorrer no início de outubro.
O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto também foi intimado pela Polícia Federal para prestar depoimento sobre a fiscalização do Master. Os dois devem comparecer como testemunhas.
BRB e regulação das bets
Sobre o futuro do BRB, Galípolo não respondeu a perguntas específicas e reiterou que o Banco Central não comenta casos individuais de instituições. Ele afirmou que é preciso cuidado para não mudar a jurisprudência durante o processo e confirmou que o banco continua pagando multa mensal por não ter entregue o balanço.
Ao falar sobre a fiscalização de empresas do sistema financeiro, Galípolo comparou o trabalho regulatório a uma corrida entre doping e antidoping no esporte. Em relação às bets, disse que um estudo anterior do BC tratou dos impactos sobre o mandato de política monetária, sem abordar outros efeitos do setor na economia e na população, como os relacionados à saúde pública.







