BRASÍLIA — O Governo pretende leiloar a concessão do Aeroporto de Brasília em 17 de dezembro, junto com outros dez terminais regionais. O vencedor não pagará outorga, mas deverá oferecer ao Governo uma contribuição variável sobre a receita bruta, com percentual inicial de 5,9%.
O grupo vencedor também terá de pagar R$ 628,7 milhões à Infraero e investir R$ 1,2 bilhão no aeroporto de Brasília e R$ 857,8 milhões nos demais terminais. Entre as obras previstas estão um novo terminal internacional, um edifício-garagem e uma nova via de acesso.
Empresas interessadas
O ministro dos Portos e Aeroportos, Tomé Franca, classificou o formato como um “filé com osso”. Para assumir Brasília, considerado um importante hub de conexões nacionais e internacionais, a concessionária terá de operar terminais deficitários na Bahia, em Goiás, em Mato Grosso, em Mato Grosso do Sul e no Paraná.
A Zurich Airport avalia participar da disputa. A empresa opera os aeroportos de Florianópolis, Macaé, Vitória e Natal e disputou com a Aena a licitação do Galeão em 30 de março.
A Corporación America, atual concessionária de Brasília, também poderá apresentar proposta. O grupo administra 52 terminais em seis países, sendo 33 na Argentina, e opera o aeroporto por meio da Inframerica, uma joint venture com a Infraero, que deixará o negócio após o leilão.
A Aena e a mexicana ASUR também são consideradas possíveis concorrentes. A Aena opera 17 aeroportos no País e se prepara para assumir o Galeão nos próximos meses. A ASUR concluiu a aquisição da plataforma de aeroportos da Motiva em uma transação de R$ 12 bilhões por participações em 20 terminais, incluindo 17 no País.
Após a operação, o CEO da ASUR, Adolfo Castro, afirmou que “o Brasil ocupa uma posição central na estratégia de crescimento”. Jose Formoso, ex-CEO da Embratel e ex-vice-presidente da Telmex, foi contratado para comandar a operação local do grupo.
Terminais incluídos no pacote
Além de Brasília, a concessão reúne os aeroportos de Bonito, Dourados, Três Lagoas, Barreiras, Ponta Grossa, Alto Paraíso de Goiás, São Miguel do Araguaia, Cáceres, Juína e Tangará da Serra.
A lista inclui terminais em Goiás, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. Bonito é apontado como um dos principais destinos de ecoturismo do Brasil. Dourados e Três Lagoas podem ter importância para o agronegócio e o setor de celulose, respectivamente.
Segundo Ana Cândida, sócia de Infraestrutura e Regulação do BMA Advogados, os principais riscos são a obrigação de assumir aeroportos com baixo movimento e o prazo do contrato, que termina em julho de 2037. Ela afirmou que o modelo exige investimentos e a operação de terminais em localidades com infraestrutura limitada.
São Miguel do Araguaia e Alto Paraíso de Goiás têm baixíssima demanda. Juína, Cáceres e Tangará da Serra apresentam movimento insuficiente para justificar operações aéreas comerciais regulares sem subsídio, de acordo com a advogada.
A avaliação do Governo é que a receita de Brasília compense os custos dos demais terminais. O aeroporto recebeu mais de 9,7 milhões de passageiros em voos domésticos e internacionais até julho, alta de 8% na comparação com o mesmo período de 2025.
Os interessados deverão apresentar suas propostas até 10 de dezembro.








