Esquecer ocasionalmente onde deixou um objeto ou o nome de alguém pode acontecer com o envelhecimento. A recuperação de informações tende a ficar mais lenta, mas as falhas esperadas não progridem nem comprometem a rotina e a autonomia da pessoa.
A partir dos 50 anos, o esquecimento não deve ser analisado isoladamente. O Alzheimer é a demência mais frequente, mas há outras condições que também alteram a memória, o comportamento e as demais funções cognitivas.
Sinais que merecem atenção
O geriatra Roni Mukamal afirma que é importante investigar situações como não lembrar se tomou um remédio, perder a senha do banco, ter dificuldade para administrar o dinheiro ou esquecer uma panela no fogo. Falhas que atrapalham o funcionamento normal do indivíduo também devem ser avaliadas, segundo a geriatra Daniela Barbieri.
Mudanças de comportamento, personalidade e outras capacidades cognitivas podem indicar que há algo além de um esquecimento pontual. A psicóloga e neuropsicóloga Laiss Bertola alerta que nem todos os quadros começam com problemas de memória. Por isso, esperar apenas esse sinal pode atrasar a identificação de apresentações menos frequentes ou atípicas.
No Brasil, 2,5 milhões de pessoas com 60 anos ou mais vivem com Alzheimer e outras demências. Uma estimativa indica que 84,3% desses casos não têm diagnóstico formal. A campanha Setembro Lilás promove, neste mês, a conscientização sobre o Alzheimer e outras demências.
Outras causas possíveis
Antes de concluir que o esquecimento está ligado ao Alzheimer, é necessário considerar outras causas. Depressão, ansiedade e outros transtornos psiquiátricos podem prejudicar a concentração e a memória. Alterações da tireoide, deficiências de vitaminas, acidente vascular cerebral, traumatismo craniano e outras condições neurológicas também podem provocar mudanças cognitivas.
A geriatra Daniela Barbieri cita ainda o hipotireoidismo e a apneia obstrutiva do sono, cujos efeitos sobre a memória e outras funções podem ser reversíveis quando o problema que os provocou melhora. Alguns medicamentos, especialmente sedativos, remédios para dormir e psicotrópicos, também podem interferir no funcionamento cerebral.
O consumo de álcool e tabaco, o sedentarismo e doenças sem controle, como diabetes, hipertensão e hipercolesterolemia, aparecem entre os fatores que prejudicam a saúde do cérebro. A falta de estímulo cerebral também é mencionada pelos especialistas.
Atividade e prevenção
Kátia Siquara voltou à faculdade aos 45 anos para cursar Educação Física. Aos 62, aposentada, ela trabalha como professora em uma escola de vôlei de praia e como técnica do projeto social Viva Vôlei Melhor Idade.
Ela afirma que manter o corpo e a mente em movimento faz parte da estratégia para preservar a saúde. Escrever projetos, acompanhar as modernidades e cuidar da saúde física, mental e espiritual estão entre as atividades que Kátia procura manter.
Dados do Relatório Mundial de Alzheimer 2024 apontam que 80% da população em geral e 65% dos profissionais de saúde ainda consideram, de forma equivocada, a demência uma consequência natural da idade. No Brasil, 78% das pessoas têm medo de desenvolver Alzheimer, conforme o relatório de 2019.
A demência é um termo usado para um conjunto de sintomas causados por distúrbios que afetam o cérebro, com impacto na memória, no pensamento, no comportamento e nas emoções. A doença de Alzheimer responde por 50-60% dos casos de demência; entre outros tipos estão a demência vascular, a demência de corpos de Lewy e a demência fronto-temporal.








