A investigação precoce do Alzheimer pode ajudar a pessoa a participar das decisões sobre o próprio futuro enquanto ainda mantém autonomia. A avaliação inclui conversas com o paciente e familiares, testes de memória e outras funções cognitivas e análise do impacto dos sintomas na rotina. Exames de sangue e de imagem, como a ressonância magnética, também podem ser usados para investigar outras causas. Neurologistas, geriatras e psiquiatras estão entre os profissionais que conduzem essa apuração.
A doença é um transtorno neurodegenerativo progressivo que afeta memória, raciocínio, linguagem e a capacidade de realizar atividades do dia a dia. A causa ainda não está definida. Idade avançada e histórico familiar estão entre os fatores associados, assim como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, sedentarismo, tabagismo, perda auditiva não tratada, isolamento social e baixa estimulação cognitiva.
Mudanças que merecem atenção
A perda de memória recente é um dos sinais mais conhecidos. Repetir perguntas ou histórias, esquecer acontecimentos recentes mesmo após receber pistas e ter dificuldade para encontrar palavras podem indicar alterações que precisam ser avaliadas. Também podem surgir problemas para organizar tarefas simples, lidar com dinheiro ou medicamentos, se orientar em locais conhecidos e tomar decisões.
Pequenos esquecimentos podem fazer parte do envelhecimento. A preocupação aumenta quando as mudanças são progressivas, frequentes e interferem no funcionamento habitual. O quadro clínico costuma ser dividido em quatro estágios: no inicial, aparecem alterações de memória, personalidade e habilidades visuais e espaciais; no moderado, podem ocorrer dificuldades na fala, em tarefas simples e na coordenação, além de agitação e insônia; no grave, há maior dependência para atividades diárias, incontinência e deficiência motora progressiva; no terminal, podem ocorrer restrição ao leito, mutismo, dor ao engolir e infecções intercorrentes.
Atividade física e cuidados diários
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Alzheimer está entre os tipos mais comuns de demência e representa cerca de 60% a 70% dos casos no mundo. No Brasil, mais de 5 milhões de pessoas poderão ser diagnosticadas com demência até 2050, conforme o Ministério da Saúde.
A prática regular de exercícios está associada a uma menor incidência de demência e pode contribuir para reduzir a progressão da doença em pessoas já diagnosticadas. As atividades aeróbicas que elevam a frequência cardíaca aparecem entre as estratégias citadas pela professora Dra. Elisa de Paula França Resende, da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG).
“É possível planejar questões familiares, financeiras e de cuidados”, explica a especialista ao destacar uma das possibilidades relacionadas ao diagnóstico precoce.
Além dos medicamentos, o cuidado pode incluir vida social ativa, atividades prazerosas e significativas para estimular o cérebro, atenção à saúde auditiva e visual e alimentação equilibrada. Também é importante controlar pressão arterial, diabetes e colesterol e manter um sono de boa qualidade. Para quem já tem comprometimento cognitivo, rotinas estruturadas, calendários, lembretes e adaptações no ambiente podem ajudar na independência e na segurança.







