A partir de 1º de outubro, os planos de saúde deverão cobrir a mamografia digital sem restrição de idade ou gênero, desde que o exame seja indicado pelo médico assistente. A mudança foi aprovada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na semana passada.
Até agora, a cobertura obrigatória estava prevista para mulheres de 40 a 69 anos, conforme a Diretriz de Utilização (DUT) do Rol da ANS. Com a atualização, mulheres mais jovens, homens cisgênero, pessoas não binárias e pessoas trans também poderão fazer o exame pelo plano quando houver indicação clínica.
Quando o exame poderá ser solicitado
A mastologista Laís Gueiros afirma que há situações em que a mamografia pode ser necessária fora da faixa tradicional de rastreamento. Entre elas estão o alto risco hereditário, o histórico pessoal de câncer de mama, alterações clínicas e achados em outros exames.
A oncologista Virgínia Sessa ressalta que o rastreamento do câncer de mama continua começando aos 40 anos. A nova regra amplia a cobertura para casos selecionados, nos quais o médico justificar a necessidade do exame.
A solicitação deverá conter pedido médico legível, indicação clínica clara ou o código da Classificação Internacional de Doenças (CID). De acordo com a advogada Fernanda Andreao Ronchi, especialista em Direito Médico e da Saúde, a operadora não poderá interferir na conduta do médico nem limitar as opções de diagnóstico indicadas por ele.
"Pessoas fora dessa faixa etária ou homens (cis ou trans) frequentemente enfrentam negativas administrativas sob a alegação de ausência de Diretriz de Utilização (DUT)", afirmou Fernanda.
Casos de câncer e detecção precoce
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam mais de 78 mil casos de câncer de mama em mulheres no Brasil neste ano. No Espírito Santo, são esperados 950 casos. Dados do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) indicam que uma em cada três mulheres diagnosticadas tem menos de 50 anos.
A bióloga Roberta Gouvêa fez a primeira mamografia aos 27 anos, em 2010, por causa de sua prótese mamária. Depois de descobrir um câncer de ovário, passou a realizar o exame anualmente a partir dos 37 anos.
"Detectar no início é muito importante", disse Roberta ao comentar a ampliação da cobertura. A mamografia não é um exame preventivo, mas pode contribuir para a detecção precoce.
No Sistema Único de Saúde (SUS), a mamografia continua indicada para mulheres a partir dos 40 anos. A diretriz atualizada pelo Ministério da Saúde prevê acesso garantido no SUS para pessoas de 40-49 anos, sob demanda e com decisão compartilhada entre médico e paciente. Para a faixa de 50-74 anos, o rastreamento populacional é sistemático e bienal. Aos 74 anos, a decisão deve ser individualizada conforme comorbidades e expectativa de vida.
A mamografia digital permite o armazenamento eletrônico, a comparação e o compartilhamento das imagens, além de menor exposição à radiação e menor tempo de compressão, segundo Laís Gueiros. A ANS realizou consulta pública entre junho e julho deste ano sobre a ampliação da cobertura.








