A insônia é considerada crônica quando acontece pelo menos três vezes por semana durante três meses ou mais e interfere no funcionamento durante o dia. Nessa situação, a avaliação de um profissional de saúde pode ajudar a identificar possíveis causas e definir o tratamento adequado.
O médico neurologista e professor do curso de Medicina da Faculdade Pitágoras, Dr. Mario Braga, explica que a insônia persistente não se limita à dificuldade para dormir. Ela também pode interferir no funcionamento do cérebro e de outros sistemas do organismo, além de comprometer a qualidade de vida e o desempenho ao longo do dia.
Efeitos no organismo
A falta de sono pode prejudicar mecanismos ligados à fome, ao metabolismo e à regulação da glicose. Com isso, a privação de descanso está associada a maior risco de sobrepeso, obesidade e diabetes tipo 2.
O sistema imunológico também pode ser afetado. Como o sono participa da regulação das defesas do organismo, dormir mal pode prejudicar a resposta imunológica e aumentar a suscetibilidade a infecções.
No sistema cardiovascular, a insônia crônica está associada a maior risco de hipertensão e doença coronariana. O neurologista afirma que alterações persistentes no sono podem manter o organismo em um estado de maior ativação, com aumento da frequência cardíaca e da liberação de cortisol e adrenalina, hormônios relacionados ao estresse.
Repercussões durante o dia
O sono participa da aprendizagem e da consolidação da memória. Por isso, noites maldormidas podem dificultar a concentração, o raciocínio, a tomada de decisões, os estudos e o desempenho profissional. A pessoa também pode ficar mais esquecida, distraída ou levar mais tempo para concluir tarefas.
A privação de sono pode aumentar a irritabilidade e está associada a sintomas de ansiedade e depressão. A relação também pode ocorrer no sentido inverso: alterações emocionais podem contribuir para o surgimento ou o agravamento da insônia.
As consequências ainda podem alcançar as relações e a qualidade de vida. A redução do controle das respostas emocionais pode aparecer como menor tolerância ao estresse, dificuldade de concentração, alterações no desempenho cognitivo e irritabilidade, afetando a convivência durante o dia.







