A melatonina não deve ser usada automaticamente por quem tem dificuldade para dormir. Médicos afirmam que o hormônio pode ser útil para ajustar o relógio biológico em situações específicas, mas não é indicado como tratamento geral para insônia. A dose e o horário de consumo também precisam ser avaliados para reduzir o risco de efeitos colaterais.
Produzida naturalmente pela glândula pineal, a melatonina ajuda o organismo a identificar o momento de dormir. Sua liberação aumenta quando a exposição à luz diminui. Durante o dia, a retina envia ao cérebro a informação de que ainda está claro, o que inibe a produção do hormônio. À noite, com a redução da luz percebida pelos olhos, a liberação ocorre de forma gradual.
A otorrinolaringologista especialista em medicina do sono Zuleika Barbosa explica que a substância atua como um sinal para o corpo de que chegou o momento de dormir. Por isso, a suplementação pode ser considerada quando há dessincronização do relógio biológico.
Quando pode ser usada
Entre as situações citadas pelos especialistas estão a síndrome da fase atrasada do sono, em que a pessoa tende a dormir e acordar muito tarde, o jet lag causado pela mudança de fuso horário e a adaptação ao trabalho em turnos noturnos. A melatonina também pode apresentar benefícios para alguns pacientes com transtorno do espectro autista ou TDAH e para idosos, que tendem a produzir menos hormônio naturalmente.
A médica do sono Roberta Couto alerta que não existe uma dose ideal válida para todas as pessoas. A quantidade e o horário dependem da indicação e das características de cada paciente. A dose fisiológica é baixa, mas o uso em excesso pode interferir em outros órgãos que possuem receptores de melatonina.
Possíveis efeitos do uso inadequado
Embora seja produzida pelo próprio organismo e encontrada com facilidade em suplementos, a melatonina não é isenta de riscos. O consumo inadequado pode desregular o relógio biológico e provocar dor de cabeça, tontura, náuseas e sonolência durante o dia.
Para Zuleika Barbosa, a substância não deve ser tomada sem que a causa da dificuldade para dormir seja conhecida. A recomendação dos especialistas é que a indicação, a quantidade e o momento de uso sejam definidos de acordo com o problema apresentado.








