Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Saúde

Exame de sangue combinado a teste genético estima risco de Alzheimer

Método foi validado com quase 9.000 participantes, mas ainda depende de mais evidências antes de ser disseminado.

Exame de sangue combinado a teste genético estima risco de Alzheimer

Pesquisadores dos Estados Unidos desenvolveram uma estratégia que combina um exame de sangue e um teste genético para identificar pessoas com maior risco de desenvolver Alzheimer antes do surgimento de sintomas. O estudo foi publicado na revista científica The Lancet Neurology e acompanhou quase 9.000 participantes por até 4 anos.

Biomarcador e genética

O exame de sangue mede os níveis de p-tau217, um biomarcador associado ao Alzheimer. A proteína tau e a amiloide se acumulam no cérebro de pessoas com demência, e parte desse material pode chegar à corrente sanguínea. Exames capazes de medir o p-tau217 já estão disponíveis no Brasil, mas não fazem parte do SUS (Sistema Único de Saúde).

Como os exames de sangue, sozinhos, ainda não têm precisão suficiente para determinar a existência da doença, os pesquisadores acrescentaram informações genéticas à análise. O foco foi o gene APOE, considerado o principal candidato do material genético a influenciar o surgimento do Alzheimer.

A genética isoladamente não determina o desenvolvimento da doença. Uma a cada cinco pessoas possui alelos associados ao Alzheimer. No estudo, porém, a combinação entre os dados genéticos e o exame de sangue apresentou precisão na identificação do risco.

A técnica ainda precisa de mais evidências antes de ser disseminada. Eduardo Ferriolli, professor e pesquisador da USP (Universidade de São Paulo), afirma que não é necessário procurar laboratórios para realizar esses exames. A identificação de alterações biológicas relacionadas ao Alzheimer não significa, por si só, que a pessoa tenha desenvolvido demência.

Os tratamentos aprovados atualmente também não são indicados para pessoas que apresentam apenas alterações biológicas, sem comprometimento cognitivo. O diagnóstico depende de avaliações clínicas, testes neuropsicológicos e exames de ressonância magnética ou tomografia. Em casos de suspeita de início de demência, exames complementares podem ser necessários.

Outras estratégias de diagnóstico

Exames de líquor, feitos por punção lombar, e o PET amiloide podem ajudar a identificar marcadores da doença. Esses recursos, porém, não estão amplamente disponíveis. O PET amiloide depende de infraestrutura especializada.

Pesquisadores também estudam métodos baseados em eletroencefalogramas (EEGs). Uma pesquisa brasileira avaliou o uso de inteligência artificial para analisar esses exames, que são mais baratos que os testes de biomarcadores e estão amplamente disponíveis. A análise convencional dos dados pode ser demorada, mas algoritmos de redes complexas e aprendizado de máquina melhoraram a precisão do diagnóstico em comparação com outras tecnologias.

Andriana Campanharo, professora e pesquisadora da Unesp (Universidade Estadual Paulista), lidera esse estudo. Para ela, é importante identificar a doença na fase inicial, porque “O diagnóstico às vezes só chega em fases avançadas, quando não há muito mais que podemos fazer.” Os algoritmos ainda precisam ser validados com um número maior de bases de dados e aproximados da prática clínica.

Campanharo também pesquisa o uso de exames de ressonância magnética com algoritmos semelhantes. Os resultados preliminares foram promissores.

Na Itália, outro grupo criou um modelo baseado em EEGs e gêmeos digitais, modelos computacionais que representam características e processos do cérebro do paciente. Testado em 124 participantes, o método fez diagnósticos com 88% de acurácia.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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