Fernanda Montenegro e Antonio Fagundes denunciaram o uso não autorizado de suas imagens e vozes em anúncios de medicamentos para Alzheimer. As propagandas, produzidas com recursos de inteligência artificial, associavam os artistas a supostos tratamentos e prometiam benefícios que incluíam até a cura da doença.
Em vídeo publicado no Instagram nesta quinta-feira (10), os dois classificaram os anúncios como falsos e criminosos. Eles afirmaram que não autorizaram qualquer vínculo com os produtos e alertaram para o risco de que a associação com pessoas conhecidas influencie decisões relacionadas à saúde.
Uso indevido de imagem e voz
Fernanda Montenegro disse que foi apresentada na publicidade como usuária e locutora de um remédio indicado para Alzheimer. Segundo a atriz, o anúncio atribuía ao produto efeitos que ultrapassavam o alívio de sintomas e sugeria uma cura enganosa.
“Quero denunciar e protestar o uso agressivo, ofensivo da minha pessoa”, afirmou Fernanda.
Antonio Fagundes também relatou que uma empresa usou sua imagem para vender medicamentos sem autorização. O ator classificou a prática como enganosa, ofensiva e criminosa. Para ele, a situação pode ameaçar a vida e a integridade de pessoas que confiem nas mensagens.
Promessas de cura e evidências sobre tratamentos
A doença de Alzheimer ainda não tem cura. Os tratamentos disponíveis têm objetivos específicos, como o controle de sintomas ou o retardamento da progressão do declínio cognitivo em determinados pacientes.
Uma revisão publicada em maio na Cochrane Library analisou medicamentos desenvolvidos para reduzir placas da proteína beta-amiloide no cérebro. A análise reuniu 17 ensaios clínicos sobre diferentes fármacos que atuam nessas placas.
De acordo com a revisão, os medicamentos podem diminuir o acúmulo de beta-amiloide, mas não demonstraram impacto clinicamente relevante na capacidade dos pacientes de realizar atividades cotidianas. Os efeitos foram considerados pequenos, na melhor das hipóteses.
Especialistas apontaram limitações na revisão, mas reconheceram que os benefícios observados com essas terapias são modestos. Donanemabe e lecanemabe, medicamentos dessa classe, já foram aprovados para uso no Brasil.








