BELÉM — Instituições públicas, empresas e universidades participam nesta semana do Exercício Guardião Cibernético 8.0, treinamento que simula ataques digitais contra infraestruturas críticas. A programação ocorre de 21 a 25 de setembro de 2026 e reúne 372 organizações e cerca de 4 mil participantes, entre pessoas presencialmente e on-line.
Coordenado pelo Exército Brasileiro, por meio do Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber), sob responsabilidade do Ministério da Defesa, o exercício ocorre simultaneamente em sete cidades: Brasília, Belém, Curitiba, Manaus, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro. A abertura nacional foi realizada em Brasília e transmitida para os participantes na capital paraense.
Em Belém, as atividades são realizadas no Quartel-General Integrado, na Rua João Diogo, nº 458, no bairro da Campina. O local funciona como um dos polos do treinamento, que também conta com a colaboração de representantes de cerca de 20 países. Dos participantes deste ano, aproximadamente 1.525 estão presencialmente e 2.650 acompanham as atividades on-line.
Cenários de crise
O exercício está na oitava edição e começou em 2018. Durante a programação, as equipes trabalham em ambientes virtuais controlados para identificar vulnerabilidades, reconhecer ameaças e testar mecanismos de proteção. Os cenários apresentam diferentes níveis de criticidade e são agravados ao longo da semana.
As simulações podem envolver sistemas de energia, comunicações, bancos, transportes e laboratórios. Também podem incluir ataques a estruturas relacionadas às usinas hidrelétricas Tucuruí e Belo Monte, consideradas estratégicas para o Sistema Interligado Nacional. A proposta é aprimorar protocolos e organizar respostas conjuntas entre instituições de diferentes áreas.
O general Vendramin, comandante do Comando Militar da Amazônia Oriental (CMAO), afirmou que a defesa cibernética precisa envolver as empresas e os órgãos responsáveis por atividades essenciais. Segundo ele, sistemas digitais são usados em usinas, portos, ferrovias, estradas e portos fluviais. Uma falha pode afetar operações ligadas à movimentação de grãos, minério de ferro e alumínio.
O comandante também explicou que a proteção depende de atuação contínua e não apenas de ações militares convencionais. A resposta envolve equipes do poder público, empresas, instituições de ensino e outros setores estratégicos.
Empresas e universidades
O polo de Belém reúne a Equatorial, federações empresariais e instituições de ensino superior. Participam estudantes de Relações Internacionais, Computação e Informática, além de representantes do Cesupa, da Unama, da Uepa e da UFPA.
De acordo com Vendramin, o polo teve a participação de 14 empresas e 35 pessoas no ano passado. Nesta edição, são 20 empresas e 55 participantes em Belém. Entre as áreas econômicas consideradas estratégicas estão petróleo, mineração e agronegócio.
A participação acadêmica faz parte da proposta de ampliar a preparação para crises digitais. Os protocolos de defesa podem ser analisados e aperfeiçoados por empresas, organizações e universidades durante as atividades.
Segurança em laboratórios
O Instituto Evandro Chagas participa da frente de biossegurança e bioproteção por meio do Ministério da Saúde. Fernando Molento, coordenador do laboratório de nível de biossegurança 3 da instituição, explicou que esses espaços são considerados infraestruturas críticas porque manipulam e armazenam ativos biológicos de alto risco.
Uma ameaça digital pode atingir sistemas de automação do prédio e afetar estruturas onde ficam amostras biológicas. Por isso, o treinamento considera tanto a proteção física e digital das instalações quanto a preservação dos materiais biocustodiados.
Molento também citou riscos associados ao avanço da inteligência artificial e das tecnologias de edição genética. Segundo ele, a participação no exercício ajuda as equipes a se preparar para diferentes possibilidades e a fortalecer a capacidade de resposta do instituto.
Transporte e logística
O setor de transporte e logística também integra o treinamento. Rovilso Schenatto, coordenador de infraestrutura de TI e cibersegurança da Bertolini, participa pelo segundo ano consecutivo.
Empresas do setor utilizam ferramentas digitais para monitorar e manter as operações. Entre as medidas de preparação estão a atualização do inventário de ativos digitais e o acompanhamento dos eventos relacionados à segurança.
Schenatto afirmou que tentativas de ataque ocorrem de forma recorrente e muitas são automatizadas. Entre os possíveis objetivos estão obter ganhos financeiros por meio de ransomware e provocar a indisponibilidade de sistemas. No transporte e na logística, uma interrupção pode afetar a movimentação de insumos e itens básicos para a população.







