Contagem, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Saúde

Conservantes de alimentos processados são associados a maior risco de hipertensão

Pesquisa francesa acompanhou 112.395 pessoas por quase oito anos e identificou associação entre oito aditivos e a pressão alta.

Conservantes de alimentos processados são associados a maior risco de hipertensão

Uma pesquisa francesa associou o consumo frequente de oito conservantes presentes em alimentos processados a um aumento de 24% no risco de hipertensão. O estudo acompanhou 112.395 pessoas por quase oito anos. Nesse período, 5.544 participantes desenvolveram pressão alta e 2.450 tiveram doenças cardiovasculares.

Publicado no European Heart Journal, o levantamento é observacional. Isso significa que identificou uma relação entre o consumo dos aditivos e o risco de hipertensão, mas não permite afirmar que os conservantes sejam a causa direta do problema.

Entre os aditivos analisados estão substâncias usadas para prolongar a durabilidade dos alimentos e retardar a ação de fungos e bactérias. Alguns também têm função antioxidante, ajudando a reduzir alterações de sabor, odor, cor e valor nutricional provocadas pela oxidação.

Aditivos associados

O sorbato de potássio (E202), presente em pães e queijos de pacotinhos, foi associado a um risco 39% maior. O ácido cítrico (E330), encontrado em refrigerantes, sucos, doces, geleias e molhos, apareceu relacionado a um risco de 25%.

Também foram identificados riscos associados ao metabissulfito de potássio (E224), de 16%; ao nitrito de sódio (E250), de 16%; ao ácido ascórbico (E300), de 14%; ao eritorbato de sódio (E316), de 14%; ao ascorbato de sódio (E301), de 12%; e aos extratos de alecrim (E392), de 10%.

O nitrito de sódio é usado principalmente em carnes processadas, como presunto, mortadela, salame, linguiça e salsicha. Já os extratos de alecrim podem estar presentes em carnes processadas, produtos com gordura e salgadinhos.

A nutricionista Dalyla Formagine afirma que os conservantes são empregados pela indústria para preservar os alimentos e aumentar sua validade. Ela recomenda que os ultraprocessados não façam parte do consumo diário: “Priorizar alimentação mais natural, na maior parte do tempo, é fundamental para prevenir doenças crônicas”.

Alimentação e controle da pressão

O cardiologista Diogo Barreto explica que alguns aditivos contêm sódio, elemento que pode favorecer a retenção de líquidos e contribuir para a elevação da pressão arterial. Ele também aponta a substituição de produtos industrializados por alimentos mais naturais como uma das medidas que podem ajudar no controle da pressão, junto com a atividade física.

Para Emilio Pereira Jr., pessoas que consomem mais alimentos industrializados podem comer menos frutas, verduras e outros alimentos in natura. Esse padrão também pode estar relacionado a menor prática de atividade física, pior sono, obesidade e estresse.

A dieta DASH e a dieta do Mediterrâneo priorizam frutas, verduras, legumes, carnes magras e outros alimentos in natura ou pouco processados. Segundo Emilio Pereira Jr., as duas estratégias são recomendadas pelas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia para auxiliar no controle da hipertensão e também podem trazer benefícios para pessoas com diabetes.

Dalyla Formagine ressalta que os resultados não comprovam causalidade. “Os pesquisadores identificaram um aumento (no risco de hipertensão), mas não podem garantir que esse aumento se dá pelo consumo desses alimentos”, disse a nutricionista.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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