Contagem, Sábado, 26 de setembro de 2026
Finanças da casa

Transporte de petróleo na Margem Equatorial exige atenção a manguezais

Pedro Walfir aponta desafios para levar óleo de águas profundas até a costa e proteger comunidades, manguezais e biodiversidade.

A exploração de petróleo na Margem Equatorial terá como um dos principais desafios o transporte do óleo produzido em águas profundas até a costa. A avaliação é do geólogo e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) Pedro Walfir, que destaca a sensibilidade ambiental da região e a dependência de comunidades costeiras da pesca e do extrativismo.

O bloco da Foz do Amazonas fica a cerca de 150 quilômetros da linha de costa e a mais de 1.500 metros de profundidade. A Petrobras declarou a descoberta e deverá fazer novos furos para avaliar o potencial comercial do recurso. Segundo Walfir, levar o óleo por navios ou dutos exigirá uma logística complexa.

Riscos e preparação

A região reúne extensos manguezais, alta biodiversidade e populações que vivem da pesca e da coleta de mariscos. Um acidente poderia causar prejuízos sociais e econômicos às comunidades. O professor também afirma que o risco já existe porque o combustível que abastece cidades amazônicas chega de navio pelo Oceano Atlântico, atravessando a Foz do Amazonas.

Walfir coordenou, há mais de 20 anos, o projeto Piatã Mar, criado para identificar possíveis impactos de um derrame de óleo. A iniciativa começou em 2004, depois do acidente na Baía de Guanabara, ocorrido em 2000. Atualmente, existem estruturas para conter e remover manchas antes que elas atinjam ambientes sensíveis, especialmente os manguezais.

Ainda há lacunas na previsão do deslocamento do óleo em caso de acidente. Para aprimorar os cenários, o professor defende a combinação de imagens de satélite e modelos matemáticos, além da instalação de centros de proteção costeira. Também considera necessário estabelecer um levantamento das condições ambientais atuais, incluindo a concentração de metais nos manguezais e os tipos de óleo presentes na costa.

Manguezais do Pará

O Pará tem 2.380 quilômetros quadrados de manguezais, dos quais cerca de 73% estão dentro de unidades de conservação. A região possui 14 reservas extrativistas. De acordo com Walfir, menos de 1% dos manguezais foi degradado ou destruído. Considerando Amapá, Pará e Maranhão, a taxa de degradação dos manguezais amazônicos também é inferior a 1%.

A principal forma de degradação ocorreu com a abertura de estradas. Entre os exemplos citados está a ligação entre Bragança e Juruteua, com quase 26 quilômetros atravessando o manguezal. O professor também menciona intervenções urbanas, como calçadões, praças e ampliação de ruas.

Os manguezais estão migrando rio acima, em direção ao continente, enquanto trechos superiores dos rios passam por salinização. Em praias como Ajuruteua e Romana, há manguezais mortos, com árvores sem vegetação, em áreas onde sedimentos marinhos avançam sobre esses ambientes.

Walfir também lançará os livros “Atlas dos Manguezais no Pará” e “Eu Me Reinventei Depois dos 50”. O Atlas está em fase de impressão e tem patrocínio da Petrobras e chancela da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade. As informações sobre as obras estão disponíveis no site pedrowalfir.com.br.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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