A exploração de petróleo na Margem Equatorial terá como um dos principais desafios o transporte do óleo produzido em águas profundas até a costa. A avaliação é do geólogo e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) Pedro Walfir, que destaca a sensibilidade ambiental da região e a dependência de comunidades costeiras da pesca e do extrativismo.
O bloco da Foz do Amazonas fica a cerca de 150 quilômetros da linha de costa e a mais de 1.500 metros de profundidade. A Petrobras declarou a descoberta e deverá fazer novos furos para avaliar o potencial comercial do recurso. Segundo Walfir, levar o óleo por navios ou dutos exigirá uma logística complexa.
Riscos e preparação
A região reúne extensos manguezais, alta biodiversidade e populações que vivem da pesca e da coleta de mariscos. Um acidente poderia causar prejuízos sociais e econômicos às comunidades. O professor também afirma que o risco já existe porque o combustível que abastece cidades amazônicas chega de navio pelo Oceano Atlântico, atravessando a Foz do Amazonas.
Walfir coordenou, há mais de 20 anos, o projeto Piatã Mar, criado para identificar possíveis impactos de um derrame de óleo. A iniciativa começou em 2004, depois do acidente na Baía de Guanabara, ocorrido em 2000. Atualmente, existem estruturas para conter e remover manchas antes que elas atinjam ambientes sensíveis, especialmente os manguezais.
Ainda há lacunas na previsão do deslocamento do óleo em caso de acidente. Para aprimorar os cenários, o professor defende a combinação de imagens de satélite e modelos matemáticos, além da instalação de centros de proteção costeira. Também considera necessário estabelecer um levantamento das condições ambientais atuais, incluindo a concentração de metais nos manguezais e os tipos de óleo presentes na costa.
Manguezais do Pará
O Pará tem 2.380 quilômetros quadrados de manguezais, dos quais cerca de 73% estão dentro de unidades de conservação. A região possui 14 reservas extrativistas. De acordo com Walfir, menos de 1% dos manguezais foi degradado ou destruído. Considerando Amapá, Pará e Maranhão, a taxa de degradação dos manguezais amazônicos também é inferior a 1%.
A principal forma de degradação ocorreu com a abertura de estradas. Entre os exemplos citados está a ligação entre Bragança e Juruteua, com quase 26 quilômetros atravessando o manguezal. O professor também menciona intervenções urbanas, como calçadões, praças e ampliação de ruas.
Os manguezais estão migrando rio acima, em direção ao continente, enquanto trechos superiores dos rios passam por salinização. Em praias como Ajuruteua e Romana, há manguezais mortos, com árvores sem vegetação, em áreas onde sedimentos marinhos avançam sobre esses ambientes.
Walfir também lançará os livros “Atlas dos Manguezais no Pará” e “Eu Me Reinventei Depois dos 50”. O Atlas está em fase de impressão e tem patrocínio da Petrobras e chancela da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade. As informações sobre as obras estão disponíveis no site pedrowalfir.com.br.







