A dez dias do primeiro turno das eleições, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu em artigo publicado na revista britânica The Economist que a política fiscal adotada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva é adequada para o Brasil.
A manifestação ocorre em meio às críticas de economistas, gestores e analistas ao tamanho da dívida pública e à trajetória das contas do país. Luis Stuhlberger, fundador e CIO da Verde Asset, afirmou recentemente que o terceiro mandato de Lula é o pior do petista do ponto de vista fiscal e apontou aumento de gastos, déficits elevados e crescimento da dívida.
No artigo, publicado na quinta-feira (24), Durigan atribuiu parte dos desafios econômicos ao governo anterior, de Jair Bolsonaro. O ministro citou o aumento do endividamento das famílias, o crescimento da fome e o desemprego médio de 12% durante o período.
Também afirmou que o Brasil vive atualmente um cenário de inflação e desemprego em níveis historicamente baixos. Entre os resultados mencionados estão a retirada do país do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU), os ganhos reais do salário-mínimo e o aumento da renda média dos trabalhadores.
Contas públicas e arcabouço fiscal
O principal argumento de Durigan está relacionado ao resultado fiscal. Segundo ele, o déficit primário recuou de pouco mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023 para uma projeção de 0,6% do PIB em 2026, sem redução das políticas sociais.
A melhora, conforme o texto, ocorreu com aumento da arrecadação e da carga tributária. O ganho, porém, foi integralmente compensado pelo serviço da dívida pública, que passou de 6% do PIB em 2023 para 8,5% neste ano.
O ministro também defendeu o arcabouço fiscal, aprovado em 2023 e apresentado pelo governo como instrumento para controlar o crescimento das despesas. Na avaliação dele, a regra manteve os gastos primários próximos de 19% do PIB e permite que o orçamento de 2027 volte a projetar superávits fiscais.
Durigan relacionou a trajetória das contas públicas à redução da pressão sobre os juros de longo prazo e à estabilização da dinâmica da dívida desde 2024. Também citou elevações na nota de crédito do Brasil pelas agências de classificação de risco e a redução da percepção de risco de calote.
O mercado financeiro, contudo, mantém avaliação contrária. Na semana anterior, após o anúncio de um reajuste de 15,04% no Bolsa Família, a bolsa perdeu três mil pontos pela manhã, o Tesouro Direto interrompeu as negociações por causa da volatilidade e o dólar avançou diante do real. Os ânimos diminuíram ao longo do dia, mas o risco fiscal continuou entre as principais preocupações do mercado durante a eleição.
Prioridades para os próximos anos
No artigo, Durigan apresentou iniciativas que o governo considera prioritárias, como a ampliação da participação das mulheres no mercado de trabalho, programas de qualificação profissional voltados à inteligência artificial e medidas para estimular investimentos em data centers, minerais críticos e transição energética.
O ministro também defendeu uma agenda que combine crescimento econômico, inclusão social e equilíbrio das contas públicas. Em evento do BTG Pactual, afirmou que “uma política fiscal muito responsável é o principal compromisso para os próximos anos”. Segundo Durigan, o foco é reduzir a taxa básica de juros e o crescimento do gasto obrigatório.
A publicação ocorreu na mesma quinta-feira (24) em que uma pesquisa Datafolha apontou empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro no primeiro turno e em uma eventual segunda etapa da disputa presidencial. Na simulação de segundo turno, Lula apareceu com 47% das intenções de voto, contra 45% de Flávio Bolsonaro. Os dois também registraram rejeição de 45% dos eleitores.







