A melhora das contas públicas pode reduzir os juros de longo prazo e abrir espaço para uma valorização significativa da bolsa brasileira, na avaliação de Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco. A análise foi apresentada durante o painel macroeconômico da B3 Week 2026, realizado nesta terça-feira (15), com participação de Diogo Guillen, economista-chefe do Itaú Unibanco.
Honorato afirmou que uma queda da taxa real de longo prazo, de algo próximo de 7,5% para 4%, teria impacto expressivo no valor das empresas. Para os economistas, o ponto central não é apenas a redução da Selic, mas a diminuição do prêmio de risco do país.
O papel das contas públicas
Uma piora fiscal eleva o prêmio de risco e pressiona os juros de longo prazo. Com isso, o custo de financiamento aumenta para empresas, famílias e para o governo. Honorato estima que, com a taxa real em torno de 7,5%, seria necessário um superávit primário de aproximadamente 4,5% do PIB para estabilizar a dinâmica fiscal. Isso representaria uma mudança de cerca de 5 pontos percentuais do PIB.
Se a taxa real recuar para uma faixa entre 4% e 4,5%, o esforço necessário cairia para aproximadamente 1,5% do PIB. “Isso é absolutamente administrável e está ao alcance do país”, disse o economista.
O Brasil chega ao período eleitoral com juros elevados, mas também apresenta fatores que podem atrair investimentos: commodities, uma posição geopolítica relativamente favorável e potencial para projetos ligados à inteligência artificial. A disponibilidade de terras e uma matriz energética com forte presença de fontes renováveis podem favorecer investimentos em data centers.
Eleições, câmbio e Selic
Honorato considera o período após as eleições de outubro decisivo para a trajetória fiscal. “Se o próximo presidente não resolver a questão fiscal, o grande risco é que os juros permaneçam elevados por muito tempo.”
Guillen prevê desaceleração da atividade, com famílias e empresas endividadas e perda de força de algumas despesas na segunda metade do ano. Nesse cenário, o Itaú trabalha com novas quedas da Selic ao longo do próximo ano, levando a taxa para perto de 12,5%.
A projeção depende do câmbio. No cenário-base do banco, o real ficaria entre R$ 5 e R$ 5,25 nos próximos trimestres. A combinação de atividade mais fraca, inflação em desaceleração e estabilidade cambial poderia levar a Selic para perto de 11% ao final de 2027. O Bradesco é mais cauteloso e projeta depreciação adicional do real, com cotação próxima de R$ 5,30.







