Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Finanças da casa

Credibilidade do ajuste fiscal pode reduzir juros longos e impulsionar a Bolsa

Executivos avaliam que um ajuste fiscal confiável pode pressionar os juros longos para baixo e favorecer a valorização de ações.

Credibilidade do ajuste fiscal pode reduzir juros longos e impulsionar a Bolsa

A credibilidade de um eventual ajuste fiscal será tão importante quanto o tamanho das medidas, na avaliação de executivos e economistas que participaram de um painel promovido pela B3. Para Christian Egan, CEO da B3, um programa considerado sólido poderia reduzir automaticamente as taxas longas de juros em cerca de 100 basis points.

Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco, afirmou que o efeito sobre a Bolsa poderia ser ainda maior caso o ajuste contribuísse para ampliar o crescimento da economia. Segundo ele, o PIB brasileiro avançou, em média, 2,2% nos últimos 46 anos, enquanto a média mundial ficou em 3,3%.

Honorato disse que, nos períodos em que o Brasil adotou medidas de responsabilidade fiscal, o crescimento se aproximou do padrão global. Nesse cenário, “o rerating das ações poderia ser gigantesco”, afirmou.

O cálculo para estabilizar a dívida

O economista avalia que as condições atuais são mais favoráveis à busca pelo equilíbrio das contas públicas. O quadro da dívida piorou, o que aumentaria o incentivo para a adoção de medidas fiscais. Ele também afirmou que o custo político de não agir é elevado.

Com juro real em torno de 7,5%, seria necessário um superávit primário próximo de 4,5% do PIB para estabilizar a dívida. Se a taxa real recuar para 4%, nível mais próximo da média histórica brasileira, o esforço cairia para cerca de 1% do PIB.

O mercado trabalha com a expectativa de que o próximo governo, independentemente de quem vencer a eleição, faça algum tipo de ajuste fiscal. Uma aposta semelhante ocorreu no início do Governo Lula, mas a frustração com o resultado contribuiu para uma Selic de 14%.

A possibilidade de ajuste é considerada maior em um eventual Governo Flávio Bolsonaro, que tem falado sobre um tesouraço. O painel, porém, não discutiu os programas das duas candidaturas que lideram as pesquisas.

Câmbio e prioridades da B3

Sem uma mudança significativa na política fiscal, a Bolsa poderia permanecer sem fluxo e descontada, enquanto o câmbio poderia se desvalorizar mais do que o previsto. Diogo Guillen, economista-chefe do Itaú e ex-diretor de política econômica do Banco Central, e Honorato já projetam alguma depreciação do real por causa da provável alta dos juros nos Estados Unidos.

O Itaú prevê o dólar em torno de R$ 5,30. O Bradesco trabalha com um intervalo entre R$ 5 e R$ 5,20.

Na abertura do evento da B3 em São Paulo, Egan apresentou as prioridades de sua gestão: clientes, tecnologia, pessoas e confiança. Ele afirmou que a tecnologia não deve ser apenas uma função de suporte, mas o principal negócio da companhia.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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