A família Zaher dividiu o antigo Grupo SEB em dois negócios, como parte de um processo de sucessão iniciado há mais de dez anos. O SEB Education reunirá as escolas premium e bilíngues, sob o comando de Thamila e Thalita Zaher. Já o Grupo A a Z concentrará os negócios de educação de alta performance, ensino superior, sistemas de ensino e comunicação, que continuarão sob a liderança de Chaim Zaher.
A transferência formal ocorreu nos últimos dois anos. Chaim, hoje com 73 anos, será chairman do SEB Education e continuará no conselho, mas não participará da gestão cotidiana. Thamila, de 38 anos, e Thalita, de 44, trabalham com o pai há mais de duas décadas e terão autonomia para conduzir a operação.
“Eu quero que elas realmente toquem a SEB Education”, disse Chaim. Segundo ele, as filhas estão com ele há mais de 20 anos e já conhecem os negócios.
Expansão da educação premium
O SEB Education reúne mais de 500 escolas, 78 mil alunos e operações em 42 países. O portfólio inclui Maple Bear, Concept, Pueri Domus, Sphere, Carolina Patrício e PlayPen, adquirida no mês passado em uma transação que ainda depende da aprovação do CADE.
O plano é chegar a 800 escolas, mais de 50 países e 160 mil alunos até 2030. A Maple Bear será o principal motor dessa expansão, apoiada em um modelo de franquias que exige menos capital próprio. Cerca de 90% do aumento previsto no número de unidades deve vir desse formato. Os outros 10% serão obtidos com a expansão das marcas próprias e aquisições.
A estratégia prevê a manutenção da identidade de cada marca. A PlayPen utiliza elementos do método Montessori; a Sphere e a Pueri Domus trabalham com o International Baccalaureate; a Maple Bear segue uma metodologia de origem canadense, com foco em bilinguismo; e a Concept aposta no aprendizado por projetos.
No Brasil, as mensalidades das escolas variam, conforme a bandeira, de cerca de R$ 4,5 mil a R$ 15 mil por mês. O grupo também pretende expandir por meio da compra de escolas independentes, no Brasil e no exterior. A Concept será a próxima marca a sair do país, depois de uma nova unidade planejada para o Rio de Janeiro. Cinco mercados internacionais já foram mapeados.
O SEB Education não planeja, no curto e médio prazo, abrir capital nem buscar nova injeção de recursos. A operação pretende crescer com capital próprio e não tem sócios no momento.
Grupo A a Z mantém negócios de Chaim
O Grupo A a Z ficará com as escolas de alta performance, voltadas principalmente à aprovação em vestibulares, o sistema de ensino Conexia e participações em empresas como a Yduqs. Os ativos de comunicação da família, incluindo a NovaBrasil e as operações de TV, também permanecerão sob o comando de Chaim.
A Kinea faz parte dessa frente. A gestora de private equity investiu R$ 415 milhões na tese em 2024. Chaim avalia que o negócio pode reunir ativos, atrair novos investidores e, eventualmente, abrir o capital.
As escolas de alta performance têm mais de 50 unidades no Brasil e cerca de 50 mil alunos próprios. Como trabalham com um tíquete menor e podem chegar a mais cidades, Chaim considera que essa divisão tem potencial para crescer mais rapidamente em número de estudantes.
Embora Thamila e Thalita tenham assentos nos conselhos dos negócios comandados pelo pai, a gestão executiva das duas partes do antigo SEB está separada.








