O bullying foi relatado por 17% dos estudantes brasileiros de 15 anos algumas vezes por mês ou com maior frequência, segundo dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), organizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O índice ficou abaixo da média de 20% registrada entre os países da OCDE. A edição de 2025 reuniu dados de 91 países ou regiões.
No Brasil, a incidência não mudou de forma significativa entre 2022 e 2025. Na maioria dos países e economias participantes, porém, o problema aumentou no mesmo período.
O levantamento também avaliou o cyberbullying. No país, 3% dos estudantes disseram que informações que os incomodavam ou prejudicavam foram publicadas na internet sem consentimento pelo menos algumas vezes por mês nos 12 meses anteriores à aplicação do exame. A proporção foi igual à média da OCDE.
Ações nas escolas
Na escola estadual Mário Gurgel, em Jabaeté, Vila Velha, as equipes de Ação Psicossocial e Orientação Interativa Escolar (Apoie) e pedagógica desenvolvem atividades sobre o tema. Um dos projetos é direcionado inicialmente às turmas da 1ª série do ensino médio, com formação, oficinas e atividades interativas sobre bullying, consequências, respeito às diferenças e convivência no ambiente escolar.
A equipe Apoie também realizou intervenções individuais com estudantes envolvidos em situações de bullying. Para a psicóloga e doutoranda em Psicologia Kamila Vilela, a frequência dos casos indica que determinadas violências ainda são tratadas como brincadeira. “Quando acontece com frequência, não é um problema apenas entre dois alunos, mas de todo o ambiente escolar”, afirmou.
O exame mede o desempenho de estudantes de 15 anos em Matemática, Leitura e Ciências. Em 2025, também avaliou pela primeira vez a competência de aprendizagem no mundo digital. O estudo é realizado a cada três anos e contou com 760 mil estudantes de 91 países e economias.
Entre os estudantes brasileiros, 48% afirmaram usar chatbots de Inteligência Artificial ao menos uma vez por semana para tarefas escolares. A média nos países da OCDE foi de 46%.
O Brasil tem a lei nº 13.185/2015, que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying). O advogado e procurador do Estado Alexandre Dalla Bernardina defendeu a prevenção, a presença da família, a atuação da escola e a construção de uma cultura de respeito como formas de enfrentamento.








