Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Finanças da casa

Venezuela busca investidores para reconstruir sistema elétrico deteriorado

Recuperação da geração, transmissão e distribuição pode custar até US$ 40 bilhões e levar uma década, segundo Francisco Morandi.

Venezuela busca investidores para reconstruir sistema elétrico deteriorado

A retomada do setor elétrico venezuelano já começa a atrair investidores, mas a recuperação da rede deve exigir entre US$ 15 bilhões e US$ 40 bilhões e durar de três anos a até uma década. A estimativa é de Francisco Morandi, consultor, ex-vice-presidente global da AES e ex-diretor da Electricidade de Caracas.

O interesse ocorre enquanto petroleiras internacionais voltam ao país após a derrubada de Nicolás Maduro. A expansão da indústria petrolífera tende a elevar a demanda por eletricidade, em um sistema que se deteriorou por mais de vinte anos de bolivarianismo.

Hoje, a Venezuela tem 36 gigawatts de capacidade instalada, mas somente 12 GW ou 13 GW estariam em condições de operar. Cerca de 10 GW estão em hidrelétricas, sujeitas ao risco de menor produção por causa da seca em um ano com expectativa de El Niño severo. O consumo chega a picos de 15 GW, acima da capacidade disponível.

A precariedade também atinge transmissão e distribuição. Nas principais cidades, os apagões duram duas, três horas todos os dias. Em outras, a falta de luz se estende por horas. Morandi afirmou que nem mesmo há dados suficientes sobre a situação real da estrutura, o que explica a distância entre as projeções de custo. A avaliação é de que a necessidade pode ficar mais próxima de US$ 40 bilhões, conforme as condições das instalações.

Capital privado e nova legislação

A aprovação de uma nova lei para o setor elétrico é vista como essencial para trazer capital privado por meio de parcerias. O projeto, em discussão no Congresso, segue uma lógica semelhante à dos Contratos de Participação Produtiva adotados para o petróleo, com participação da estatal PDVSA. A expectativa é que a votação ocorra nas próximas semanas.

Morandi disse que a proposta tem elementos atrativos, mas também prevê riscos, como a possibilidade de punição criminal pelo descumprimento de indicadores de qualidade do serviço. Para ele, os primeiros investidores devem ser empresas de petróleo, como a Chevron, companhias independentes americanas, grupos ligados a hedge funds e fundos de private equity.

Alguns grupos brasileiros e colombianos com boas relações com o governo americano também aparecem entre os possíveis interessados. Empresas chinesas, que antes seriam candidatas naturais pela proximidade entre Pequim e Caracas e pela atuação no setor elétrico, devem ficar de fora por causa do papel predominante dos Estados Unidos na nova Venezuela.

Primeiros acordos

A recuperação da geração a gás associada à indústria petrolífera é apontada como o caminho mais simples para recomeçar os investimentos. Ainda assim, seria necessário reconstruir o sistema elétrico interligado, incluindo transmissão e distribuição, para evitar uma rede funcional apenas nas áreas ligadas ao petróleo.

A falta de crédito, a exigência de retorno em dólares e a baixa capacidade dos cidadãos de pagar tarifas que tornem os projetos atrativos estão entre os obstáculos. Também há uma fila de anos para a entrega de turbinas, devido à alta demanda mundial. O governo americano e bancos de desenvolvimento podem apoiar o processo com financiamentos ou garantias.

Dois acordos já foram anunciados. A GE Vernova deverá recuperar 1 GW em turbinas em 24 meses e mais de 5 GW em quatro anos, após assinar um memorando com Delcy Rodríguez. A argentina IMPSA, por sua vez, firmou um acordo para concluir a hidrelétrica de Tocoma, com mais de 2 GW, e restaurar turbinas da usina de Macagua.

A rede foi estatizada por Hugo Chávez no final dos anos 2000. Antes disso, o sistema era o terceiro maior da América Latina, atrás do Brasil e do México, e contava com grupos internacionais como AES, além de uma infraestrutura considerada avançada por Morandi.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5