Uma casa própria aparece como um dos principais fatores associados à qualidade de vida dos brasileiros, atrás apenas da saúde física, da saúde mental e da estabilidade financeira. A conclusão é de um estudo realizado pelo Grupo OLX, que também identificou maior satisfação entre proprietários de imóveis do que entre pessoas que moram de aluguel.
Em uma escala de 0 a 10, a nota média de qualidade de vida foi de 8,1 entre quem tem imóvel próprio. Entre os inquilinos, o resultado ficou em 6,9. Para Talita Cruz, especialista de dados do Grupo OLX, a aquisição de um imóvel está relacionada não apenas ao patrimônio, mas também à percepção de segurança e ao modo como as pessoas projetam o futuro.
Segurança e estabilidade
A planejadora financeira Eliane Tanabe afirma que a compra de um imóvel precisa ser precedida por organização financeira. Para ela, a decisão não deve ser analisada somente pelos números, porque algumas pessoas se sentem menos seguras quando não têm uma casa própria.
“Tem gente que vive bem com um aluguel, mas outras não se sentem confortáveis sem um imóvel”, disse Tanabe. Ela citou a possibilidade de desemprego e de aperto financeiro como situações que podem aumentar a insegurança sobre a manutenção da moradia.
A percepção também aparece na avaliação da vida financeira. A nota média dos brasileiros nesse aspecto foi de 6,1. Entre proprietários, chegou a 6,7; entre pessoas sem casa própria, caiu para 5,7.
O estudo ainda mostra diferenças na permanência dos moradores. Cerca de 67% dos inquilinos vivem na mesma casa por até três anos. Entre os proprietários, 25% estão no mesmo imóvel há 21 anos ou mais, enquanto mais da metade mora no local há pelo menos nove anos.
Na mesma cidade, 66% dos proprietários vivem há 21 anos ou mais, incluindo quem permaneceu no município durante toda a vida. Entre os moradores de aluguel, o percentual é de 47%. Os dados indicam que o imóvel próprio está associado a maior estabilidade, enquanto o aluguel é usado por quem busca mais flexibilidade.
Planejamento antes da compra
Apesar da relação entre casa própria e satisfação, Tanabe alerta que a aquisição não deve comprometer a saúde financeira da família. Um imóvel acima da capacidade de pagamento pode pressionar o orçamento e levar ao endividamento, principalmente quando há financiamento de longo prazo.
“Imóvel entra muito na categoria de sonho. Mas é um sonho que precisa caber no bolso. Senão, ele pode virar um pesadelo”, afirma a planejadora.
A localização também influencia as preferências dos brasileiros. O estudo aponta que 81% dão preferência a bairros com predominância de casas. Para 76%, é importante viver em ambientes mais tranquilos e com menor circulação de pessoas. Além disso, 73% gostariam de morar em regiões onde fosse possível resolver as atividades do dia a dia a pé, sem depender constantemente do carro.







