Apenas 23% das empresas cumprem integralmente os percentuais previstos pela Lei de Cotas, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), baseados na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Entre as pessoas com deficiência empregadas formalmente, somente uma em cada 29 ocupa cargo de direção ou gerência.
Os números mostram que a inclusão no trabalho não se resume à admissão. Para Denise Dalmece, analista de Diversidade e Inclusão do Grupo Marista e pessoa com deficiência, a falta de oportunidades de crescimento continua sendo um obstáculo. “Muitas vezes, porque não queriam ter o trabalho de contratar e desenvolver outra pessoa com deficiência para ocupar a minha vaga”, relatou.
Onde as empresas ainda falham
Um dos problemas é tratar a Lei de Cotas apenas como uma obrigação, limitando a diversidade ao preenchimento de vagas. A inclusão também pode ficar concentrada no setor de Recursos Humanos, quando deveria envolver as diferentes áreas e lideranças da empresa.
Processos seletivos sem adaptações são outra barreira. Entrevistas, testes, comunicação e ambientes precisam considerar as necessidades de acessibilidade de cada candidato. Depois da contratação, gestores devem estar preparados para participar da experiência e do desenvolvimento desses profissionais.
Também é preciso enfrentar o capacitismo, inclusive quando aparece na suposição de que uma pessoa com deficiência não tem preparo para determinada função. Oferecer uma vaga sem garantir capacitação, plano de desenvolvimento individual, mobilidade interna e chances de promoção limita a construção de uma carreira.
Inclusão além da contratação
Políticas padronizadas podem ignorar necessidades individuais. Por isso, a empresa precisa ouvir os profissionais que vivenciam barreiras e identificar dificuldades tanto no processo seletivo quanto na rotina de trabalho.
O acompanhamento da inclusão também não deve considerar apenas o número de admissões. Retenção, desenvolvimento, promoções, mobilidade interna e presença em cargos de liderança ajudam a avaliar se as medidas adotadas estão funcionando.
“Os desafios não estão relacionados à falta de capacidade, mas às barreiras sociais, estruturais e de acessibilidade que ainda existem”, afirmou Denise.







