A ArtRio apresentou dois ritmos no mercado de arte: o segmento contemporâneo teve maior liquidez, principalmente em obras de preços médios, enquanto o mercado secundário de arte moderna brasileira permaneceu mais seletivo. Compradores negociaram com cautela, e o movimento mais dinâmico se concentrou em artistas cujas trajetórias começam a ganhar força institucional.
Uma parcela relevante das vendas ficou entre US$ 10 mil e US$ 80 mil. Nessa faixa, pesaram a descoberta de novos nomes, a trajetória institucional e a capacidade de circulação internacional das obras. O relatório da feira também registrou essa diferença entre a atividade mais medida no secundário e a resposta mais dinâmica do contemporâneo.
Vendas e negociações
No setor Panorama, da Gustavo Rebello Arte, um Gyula Kosice de 1947, Plans and Colors Released, tinha asking price de R$ 700 mil e foi vendido a um executivo de um banco internacional que mantém uma coleção em Buenos Aires.
A Galleria Continua vendeu uma pintura monumental de Cristina Canale por US$ 80 mil. Um Manabu Mabe de 1969 foi reservado por US$ 110 mil, enquanto uma obra de Anish Kapoor, oferecida por cerca de US$ 1,4 milhão, permanecia em negociação. Na Pinakotheke Cultural, duas obras de José Pancetti foram vendidas por R$ 350 mil cada.
Na Casa Triângulo, uma obra de Sandra Cinto saiu por US$ 60 mil e uma de assume vivid astro focus (avaf), por US$ 40 mil. Trabalhos de Lucas Simões, Luiza Gottschalk, Marina Hachem, Rafael Chavez e Zé Tepedino entraram para a Jorge M. Pérez Collection / Espacio 23, em Miami.
A Nara Roesler vendeu várias obras de Flávia Ventura por valores entre R$ 40 mil e R$ 60 mil, além de um trabalho de André Griffo por US$ 50 mil e outro de Elian Almeida por US$ 25 mil. Na Galatea, um óleo sobre tela de Burle Marx de 1981, de (112x147cm), foi vendido por R$ 900 mil. Uma pintura de Ione Saldanha de 1960, de (45x54cm), saiu por R$ 240 mil.
No contemporâneo, a Galatea vendeu cinco obras de Mucki, entre US$ 30 mil e US$ 48 mil. Todas as obras de Ygor Landarin e Guilherme Galle também foram vendidas. A Vermelho encerrou as vendas do estande no primeiro dia do VIP, com trabalhos sobre papel de Chiara Banfi entre R$ 25 mil e R$ 210 mil.
Na Almeida & Dale, obras de Cassio Michalany, Marlene Almeida, Lidia Lisbôa, Nelson Felix e Laís Myrrha foram negociadas entre R$ 45 mil e R$ 70 mil. Trabalhos de Ana Elisa Egreja, Vivian Caccuri, Nuno Ramos e Alice Shintani ficaram entre R$ 100 mil e R$ 130 mil.
A Yehudi Hollander-Pappi vendeu os quatro últimos totens de uma série de Ana Raylander Mártis dos Anjos. Um colecionador peruano adquiriu um dos totens e uma escultura de bronze em forma de cesta, com trabalhos na faixa de US$ 10 mil. Obras de Castiel Vitorino Brasileiro foram compradas por uma instituição sul-americana por cerca de R$ 40 mil, e trabalhos de Natalia Ivanov ficaram na faixa de R$ 100 mil.
A Galeria Estação vendeu três monotipias de Santídio Pereira por R$ 155 mil cada e um conjunto de 42 ex-votos por R$ 150 mil. Na Athena, as vendas incluíram obras de Gustavo Prado por R$ 200 mil, Edu de Barros por R$ 55 mil, Jonas Arrabal por R$ 35 mil e Pandro Nobã por R$ 28 mil.
Na Janaina Torres Galeria, uma pintura monumental de Sandra Mazzini foi vendida por cerca de US$ 50 mil. Pinturas de Manuela Navas saíram por aproximadamente R$ 30 mil cada. Na Galeria Inox, obras do cubano Jorge Mayet foram vendidas entre US$ 24 mil e US$ 30 mil.
No setor Solo Duo, a Cave vendeu 11 fotografias de Jane Batista, incluindo a série completa de cinco obras, adquirida por R$ 35 mil, além de seis fotografias avulsas. A Mazzucchelli Cardoso vendeu obras de Luísa Matsushita e Romulo Barros entre US$ 5 mil e US$ 45 mil para colecionadores da América Latina, Estados Unidos, Europa e Brasil.
Aproximação institucional
A feira também recebeu profissionais de instituições internacionais. Estiveram presentes Sheikha Al-Mayassa bint Hamad bin Khalifa Al Thani, presidente do Qatar Museums; Manuel Segade, diretor do Museo Reina Sofía; e profissionais ligados à Tate, Centre Pompidou, Turner Contemporary e Wexner Center for the Arts.
Na Athena, Manuel Segade demonstrou interesse pelo trabalho de Ayla Tavares, que já integrou exposições internacionais como Several Eternities in a Day, no Hammer Museum, em Los Angeles. A visita da Sheikha também incluiu interesse particular por Rubem Valentim, na Pinakotheke Cultural.
A ArtRio doou ao MAM Rio a obra Emi, de Nádia Taquary, da Portas Vilaseca. A escolha foi feita por Raquel Barreto, curadora-chefe do museu, e Maria Luz Bridger, diretora artística da feira.
Curadoras internacionais destacaram diferentes aspectos da produção brasileira. Rebecca Lowery, do Wexner Center, chamou atenção para práticas ligadas à natureza e a contextos indígenas e amazônicos. Melissa Blanchflower, do Turner Contemporary, ressaltou novas leituras de paisagem, citando Juliana dos Santos e Wallace Pato. Jacintha Regoletta, da MALA, destacou Pamela Castro e Manuela Navas, além de narrativas afro-brasileiras e indígenas.
John Basnage de Beauval, membro do comitê de aquisições de arte africana da Tate Modern, afirmou sobre Agrade Camíz: “Acho que ela está em plena ascensão e que seu trabalho vem despertando um interesse crescente internacionalmente.”
O movimento institucional incluiu ainda a doação de obras de Gi Monteiro e Bárbara Banida ao MAR – Museu de Arte do Rio. Bárbara Banida também participa do 39º Panorama da Arte Brasileira, no MAM São Paulo. As relações formadas na feira podem se desdobrar em aquisições institucionais, residências, pesquisas curatoriais, encomendas e exposições internacionais ao longo do tempo.








