Xi Jinping, presidente da China, e Donald Trump, dos Estados Unidos, têm encontro previsto em Washington entre quarta (23) e sexta-feira (25). A proximidade da reunião ocorre em meio ao peso estratégico das terras raras, matérias-primas usadas em celulares, semicondutores, equipamentos militares, turbinas eólicas e veículos elétricos.
Na avaliação dos analistas do BTG, o domínio chinês nesse setor dá ao país uma vantagem nas negociações geopolíticas. A China responde por cerca de 70% da mineração global de terras raras, 85% da capacidade de refino e aproximadamente 90% da produção de ligas e ímãs fabricados com esses minerais.
O banco afirma que a abertura de novas minas, estruturas de processamento e fábricas de ímãs leva anos, mesmo com investimentos de Estados Unidos e outros países ocidentais para diversificar as cadeias de suprimentos. Por isso, a China deve continuar controlando a maior parte da cadeia de valor no período atual.
Efeito nas negociações entre China e Estados Unidos
Segundo os analistas, o controle chinês sobre as terras raras pode ajudar a explicar uma postura mais amigável de Trump antes do encontro. Até o momento, o presidente dos Estados Unidos não ameaçou aplicar tarifas sobre importações chinesas nem proibir exportações norte-americanas, medidas adotadas em reuniões anteriores com Xi Jinping.
Em outros encontros, Trump impôs tarifas sobre centenas de bilhões de dólares em produtos asiáticos e ampliou restrições a empresas chinesas, como a Huawei. Desta vez, as medidas ocorreram com meses de antecedência e não tiveram a mesma intensidade, incluindo uma acusação em junho contra a Alibaba, a BYD e outras empresas por suposta assistência aos militares chineses.
Um funcionário da Casa Branca durante o governo de Joe Biden afirmou que “os EUA estão mantendo a tensão baixa o suficiente para que a China não tome medidas retaliatórias realmente severas”. Peter Harrell também disse que o governo Trump se sente vulnerável ao poder chinês sobre as terras raras e busca estabilidade e acesso seguro a minerais críticos.
Projeto em Poços de Caldas
O BTG avalia que a liderança chinesa deve continuar estimulando financiamentos governamentais, parcerias estratégicas e investimentos em projetos de terras raras fora da China. Nesse cenário, a instituição cita a Viridis Mining, empresa australiana de exploração e desenvolvimento de minerais listada na bolsa de valores da Austrália sob o código VMM.
A companhia é dona do projeto Colossus, empreendimento de mineração e refino de terras raras em Poços de Caldas, em Minas Gerais. A área é apontada como uma das maiores reservas do segmento fora da China.
A Viridis adquiriu os direitos minerários em 2023 e aguarda licença ambiental. A expectativa é investir R$ 2 bilhões no projeto. Para o BTG, a empresa está em uma etapa decisiva, especialmente porque o Colossus inclui elementos considerados escassos.
O banco avalia que poucos projetos fora da China têm condições de começar a operar ainda nesta década. A expectativa é que o Colossus avance para o financiamento, a decisão final de investimento e a construção, com início da produção previsto para 2028.







