SÃO PAULO — A construção modular tem sido usada como alternativa para reduzir o tempo de obras, o consumo de recursos e a geração de resíduos em áreas urbanas. Um estudo da McKinsey & Company aponta que o sistema pode diminuir o prazo em até 50% e os custos em até 20% em comparação com métodos tradicionais.
O arquiteto Paulo Tripoloni, especializado em sistemas modulares e construção industrializada, afirma que parte significativa da produção ocorre em fábricas. Com isso, há menor movimentação de materiais e menos resíduos no local da obra. Para ele, a organização do processo é especialmente adequada a regiões com espaço limitado e exigências de controle ambiental.
Desempenho e sustentabilidade
O encaixe preciso dos módulos contribui para o isolamento térmico e acústico das edificações. Segundo Tripoloni, a vedação reduz a necessidade de climatização artificial e o consumo de energia. O sistema também utiliza materiais recicláveis e demanda menos água, conforme estudos do World Green Building Council.
A produção industrializada permite controlar melhor os insumos e diminuir desperdícios. O arquiteto também relaciona o método à redução das emissões de CO₂, já que o transporte de materiais e o volume de resíduos no canteiro são menores. Certificações como LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) e AQUA-HQE passaram a incluir a construção modular entre as práticas recomendadas para edifícios sustentáveis.
Flexibilidade e steel frame
Apesar da padronização dos componentes, a construção modular permite personalizar acabamentos e fachadas. A Modular Construction Report 2020, elaborada pela FMI Corporation, indica que o sistema oferece possibilidades de adaptação no design. Tripoloni afirma que a padronização estrutural não impede projetos com características próprias.
O steel frame complementa esse modelo ao substituir blocos de concreto por estruturas de aço galvanizado. A alternativa é indicada para terrenos urbanos compactos ou de difícil acesso. Dados publicados pelo Journal of Cleaner Production apontam redução de até 70% no consumo de água e de 50% no volume de resíduos em comparação com a alvenaria.
Aplicações e desafios
A construção modular e o steel frame também podem ser usados em reformas e ampliações. Por serem sistemas secos, tendem a reduzir a interferência na estrutura original, a sujeira e o tempo de execução. Tripoloni recomenda avaliar previamente o imóvel para verificar a aplicação dos métodos sem comprometer sua integridade.
Outra característica destacada é a redução da exposição dos trabalhadores a condições adversas, pois grande parte do processo ocorre em ambiente fabril controlado. Ainda assim, a expansão desses sistemas no Brasil enfrenta barreiras culturais e regulatórias. De acordo com o arquiteto, a percepção de que a alvenaria representa solidez e durabilidade contribui para a resistência inicial.
Nos Estados Unidos, o steel frame e a construção modular têm uso amplo. No Brasil, a expectativa apresentada por Tripoloni é de avanço gradual, impulsionado pela expansão das certificações ambientais e pela maior atenção aos impactos da construção civil.







