MEDELLÍN — A relação entre design, responsabilidade ambiental e origem dos materiais esteve no centro da La Feria de Diseño powered by idd cologne, realizada entre 10 e 12 de setembro, em Medellín, na Colômbia. O evento chegou à 13ª edição com exposições e debates sobre interiores, arquitetura e urbanismo.
A programação reuniu mais de 200 marcas de diferentes partes do mundo. O Brasil foi o país estrangeiro com maior presença, representado por 48 empresas viabilizadas pelo Projeto Setorial Brazilian Furniture, parceria entre a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) e a ApexBrasil.
Brasil em diferentes frentes
Além de um espaço dedicado ao mobiliário brasileiro, as empresas participaram de rodadas de negócios. A produção do país também apareceu no espaço Creadores, dedicado a jovens talentos colombianos e aberto, nesta edição, a participantes internacionais.
Foram apresentadas a mesa Flora, de Lisiara Simon; a mesa Estrato do Pampa, de Fabiano Salbego; a cadeira Pampa, de Matheus Solka; e a cadeira Axé Ponta de Lança, de Naná Oliveira + Bete Said. As peças integraram a Poa Design Week, em Porto Alegre, e foram selecionadas por Camila Farina, idealizadora do evento.
A Colômbia teve papel central nas discussões sobre o fortalecimento do design latino-americano. A designer industrial Lina Obregón, colombiana radicada na Itália e com trajetória em Milão, defendeu a responsabilidade social e ambiental da profissão e a importância da produção manual. “Temos uma responsabilidade enorme com o planeta e com as pessoas”, afirmou em entrevista.
Couro vegetal e produção local
Lina aplicou essa visão no desenvolvimento de uma poltrona de couro vegetal para a marca colombiana Zientte. O projeto seguiu o conceito de “zero quilômetro”, sem insumos ou materiais importados. A peça foi produzida 100% na Colômbia, com foco na identidade e no uso dos recursos disponíveis no país.
A valorização da matéria-prima também apareceu nas apresentações de três designers brasileiros. Na quinta-feira (10/9), Bruno De Lazzari falou sobre o trabalho na De Lazzari Mobiliário Urbano, empresa em que atua com o pai, Antelmo. O uso de concreto e aço busca garantir durabilidade e baixa manutenção, enquanto referências da arte e da arquitetura orientam o desenho das peças.
Para o designer, o mobiliário deve se integrar à paisagem sem perder seus detalhes. Ele apresentou a ideia de “tecido” como uma malha capaz de compor a cidade e, ao mesmo tempo, preservar a identidade do objeto.
No mesmo dia, Humberto Campana, do Estúdio Campana, relacionou sua produção às lembranças da infância no interior de São Paulo e à presença da natureza. Em suas instalações, materiais são reciclados e transformados, em busca de uma nova função. A brasilidade, as cores intensas e referências da cultura popular, como o maracatu, também orientam seu trabalho.
No sábado (12/9), Zanini de Zanine abordou a influência de sua família e de nomes como Oscar Niemeyer, Roberto Burle Marx e Tom Jobim. A formação com Sérgio Rodrigues e a defesa da “alma brasileira” e do “fazer manual” aparecem na produção de seu estúdio.
O designer trabalha com materiais garimpados e reaproveita descartes industriais. Ele define essa prática como uma “alfaiataria da matéria” aplicada ao mobiliário e mantém vínculos com as artes plásticas para ampliar as possibilidades de criação.







