RIO DE JANEIRO — A relação entre memória, novas ocupações e adaptação climática esteve no centro do 1º Fórum de Arquitetura e Urbanismo CASACOR, realizado no Palácio Gustavo Capanema. O encontro reuniu representantes do poder público, da iniciativa privada, da arquitetura, do urbanismo e do meio ambiente para discutir caminhos para as cidades brasileiras.
A programação teve cinco painéis e entrada gratuita. O local foi projetado por uma equipe que reuniu Lúcio Costa, Carlos Leão e Oscar Niemeyer. A escolha do edifício também se relacionou à CASACOR Rio 2026, realizada até 8 de novembro no Aliança da Bahia, em frente ao palácio.
Patrimônio e ocupação dos centros
A memória urbana foi um dos temas debatidos. Lucas Padilha, secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro, afirmou que políticas culturais devem aproximar instituições, eventos e ações. Para ele, “Memória sem futuro é nostalgia e futuro sem memória é improviso”.
Marlova Noleto, diretora e representante da UNESCO no Brasil, defendeu que preservar não significa manter o patrimônio imóvel, mas permitir que ele continue vivo, seja transmitido e se transforme com as comunidades. Eduardo Vettorazzi, fundador da City Zine, também ressaltou a participação coletiva na formação dos espaços urbanos.
Marcus Damon, sócio-fundador e diretor criativo do Estúdio Módulo, observou que as novas gerações demonstram maior disposição para vivenciar os centros do Rio de Janeiro e de São Paulo de outras maneiras.
As discussões sobre a região central também trataram de retrofit, reúso, habitação e uso misto. Miguel Pinto Guimarães, titular do MPG Arquitetura e cofundador da OPY Soluções Urbanas, afirmou que o trabalho de adaptação de edifícios começa pela compreensão de suas características. Washington Fajardo, arquiteto e urbanista, abordou a percepção de insegurança na área central, enquanto Celso Rayol relacionou conservação e transformação às demandas atuais da cidade.
Alexandre Pessoa, diretor da FAU-UFRJ, retomou a história da ocupação urbana ligada à atividade comercial portuária. Aníbal Sabrosa, arquiteto e sócio-fundador do RAF Arquitetura, destacou a necessidade de considerar as diferenças entre as áreas do Centro para atender públicos e demandas diversos. Sydnei Menezes, presidente do CAU/RJ, avaliou que a região passa por um momento de reocupação.
Clima e planejamento urbano
Outro painel discutiu os efeitos dos eventos climáticos extremos e medidas como arborização, sombra, drenagem e soluções baseadas na natureza. As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 foram citadas como referência para pensar a relação entre cidade e ambiente.
Luciana Fonseca, sócia da OSPA e fundadora do Instituto Cidades Responsivas, afirmou: “Esse episódio mostrou que nós somos parte do sistema, o sistema da cidade não está para nós”. Juliana Baladelli Ribeiro, bióloga e gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário, defendeu a presença da natureza em ações de drenagem e resfriamento urbano, com atenção à justiça climática.
Ilan Cuperstein, diretor regional da C40 para a América Latina, apresentou exemplos de resiliência em Curitiba, Medellín e Buenos Aires. Também citou os jardins de chuva de São Paulo e o monitoramento de calor no Rio de Janeiro.
No painel de encerramento, Osmar Lima, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, defendeu políticas públicas de longo prazo, com financiamento, participação do mercado e da sociedade. Leonardo Mesquita, copresidente executivo da Cury Construtora, relacionou a produção de novos empreendimentos à demanda e à renda de quem pretende morar no Centro.
Tomas Alvim, cofundador da BEĨ Editora, afirmou que a transformação deve respeitar a regulação e incluir atenção do setor construtivo ao patrimônio. O fórum reuniu ainda discussões sobre legislação urbana e as condições para transformar a cidade existente.







