CONTAGEM — Outdoors instalados pelo governo de Minas Gerais para divulgar a entrega de postos de saúde são contestados por autoridades locais. Em diferentes cidades, parlamentares e prefeituras afirmam que parte das obras recebeu recursos municipais ou foi viabilizada por meio de financiamento compartilhado entre as esferas de governo.
As peças publicitárias são atribuídas à gestão de Romeu Zema (Novo) e Matheus Simões (PSD). Em Nova Lima, o parlamentar Dornas declarou que as unidades citadas não foram construídas com dinheiro do governo estadual. “O que foi entregue aqui foi feito com recurso da prefeitura, com o dinheiro do povo da nossa cidade”, afirmou.
Segundo Dornas, um outdoor instalado no município foi retirado depois da repercussão dos questionamentos. Ele também criticou a atribuição das obras ao Executivo estadual em período próximo às eleições.
Casos em Contagem e Itaúna
Em Contagem, um outdoor informa que o governo de Minas teria entregue três postos de saúde. A prefeitura afirmou que, entre 2021 e 2026, somente a Unidade Básica de Saúde Vila São Paulo recebeu financiamento do antigo PAC Arrudas. O programa reuniu recursos dos governos federal e estadual e da própria administração municipal.
Em Itaúna, a deputada estadual Ana Paula Siqueira (Rede) relatou outro caso. De acordo com ela, um outdoor instalado na cidade anunciava obras que teriam sido executadas em Pará de Minas. A peça também foi retirada após questionamentos.
A deputada afirmou que acompanha denúncias sobre a divulgação de obras com financiamento compartilhado ou que não teriam sido realizadas pelo governo estadual. “A população está cada vez mais atenta e sabe identificar quando uma obra não foi realizada com recursos exclusivos do estado”, disse.
Dados sobre as unidades
Informações do Portal da Transparência apontam que o governo estadual retomou obras de 78 Unidades Básicas de Saúde. Desde 2019, 375 unidades estão em obras ou foram concluídas em Minas Gerais, com investimento superior a R$ 600 milhões.
Apesar dos dados, autoridades questionam como parte dessas obras é apresentada nas campanhas institucionais. Ana Paula Siqueira também criticou a transparência na divulgação de informações e na prestação de contas das ações do governo estadual.
A Assembleia Legislativa, segundo a deputada, acompanha os gastos públicos e as campanhas institucionais do Executivo. O governo de Minas foi procurado, mas não respondeu aos questionamentos até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.







