RIO DE JANEIRO — Morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, o jornalista e escritor Zuenir Ventura. Integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), ele estava em casa, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela própria ABL.
Autor de 1968 - O Ano que não Terminou, Zuenir se tornou imortal em 2015, quando ocupou a cadeira que havia sido de Ariano Suassuna. Ao longo da carreira, destacou-se por reportagens e livros sobre direitos humanos, a ditadura no Brasil, a Amazônia e a violência relacionada ao combate às drogas.
Nascido em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba, no sul de Minas Gerais, Zuenir Carlos Ventura passou a infância em Ponte Nova, também em Minas Gerais. Aos onze anos, mudou-se com a família para Nova Friburgo. Trabalhou como contínuo, acompanhou o pai no ofício de pintor de paredes e jogou basquetebol. Ao dar aulas para alunos mais novos, descobriu a vocação de professor.
Mais tarde, foi para o Rio de Janeiro estudar magistério e cursou letras neolatinas na atual UFRJ. Entre seus professores estavam Manuel Bandeira e Alceu Amoroso Lima.
Carreira no jornalismo
Zuenir começou no Tribuna da Imprensa, como arquivista, enquanto ainda frequentava a faculdade. No começo dos anos 1960, fez uma formação em jornalismo em Paris. Também trabalhou no Correio da Manhã, n’O Cruzeiro, na Fatos e Fotos, na Visão, Veja, Isto É e no Jornal do Brasil.
Ele recebeu os prêmios Esso e Vladimir Herzog em 1989 pela série O Acre de Chico Mendes, publicada no Jornal do Brasil. Em 1995, ficou em segundo lugar na categoria reportagem do Jabuti com Cidade Partida, livro escrito depois de acompanhar a vida em Vigário Geral nos meses seguintes à chacina ocorrida na comunidade carioca.
Em 2008, dividiu com Caco Barcellos, Henfil, José Hamilton Ribeiro e Ricardo Kotscho o Troféu Especial de Imprensa ONU, concedido a profissionais que se destacaram na defesa dos direitos humanos na mídia.
Além de Minhas Histórias dos Outros, lançado em 2005, Zuenir escreveu Sagrada Família, de 2012, obra de ficção baseada em memórias de infância e adolescência. Em seus trabalhos, também abordou a convivência com personalidades como Glauber Rocha, Betinho e Carlos Drummond de Andrade.
Em 1962, conheceu a jornalista Mary Akiersztein, com quem se casou. Em 1968, os dois foram presos e enviados ao Dops do Rio. Mary ficou presa por um mês, e Zuenir, por três. Ele morreu deixando a mulher, os filhos Elisa e Mauro e os netos Alice e Eric.








