Contagem, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Saúde

Planos de saúde terão de cobrir DIU hormonal para casos de endometriose

Cobertura passa a valer em 1º de outubro para pacientes com contraindicação ou dificuldade de manter anticoncepcionais orais combinados.

Planos de saúde terão de cobrir DIU hormonal para casos de endometriose

Os planos de saúde terão de cobrir o DIU hormonal para mulheres com endometriose a partir de 1º de outubro. A regra vale para pacientes que tenham contraindicação ao uso de anticoncepcionais orais combinados ou que não consigam manter esse tratamento. A cobertura também será obrigatória quando o uso do dispositivo estiver previsto em bula aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A mudança está na Resolução Normativa 680, publicada na última terça-feira (22). A ginecologista e obstetra Anna Bimbato explica que o DIU hormonal já era utilizado no tratamento da endometriose, mas a autorização podia ser negada porque a bula contemplava contracepção, sangramento intenso e proteção do endométrio na reposição hormonal.

Critérios para conseguir o dispositivo

O diagnóstico de endometriose, sozinho, não garante a cobertura. A paciente precisa se enquadrar em um dos critérios definidos pela ANS: ter indicação prevista em bula, apresentar contraindicação ao anticoncepcional oral ou não conseguir manter esse tratamento.

O médico deve registrar no relatório o diagnóstico e explicar por que a pílula não é uma opção. Em caso de contraindicação, é necessário indicar o motivo. Quando houver falta de adesão, o documento deve informar o que foi tentado e por que não funcionou.

Karin Rossi, ginecologista e presidente da Associação de Ginecologistas e Obstetras do Espírito Santo, afirma que o DIU mais indicado para casos de endometriose é o de levonorgestrel 52 mg, conhecido como Mirena. O dispositivo custa cerca de R$ 1.250. Segundo ela, o hormônio pode reduzir o tamanho do endométrio e o fluxo menstrual, que pode até cessar.

O Mirena libera uma quantidade maior de levonorgestrel e tem mais estudos relacionados ao controle da dor da endometriose. O Kyleena libera uma dose menor e tem características mais voltadas à contracepção. A escolha deve levar em conta as características e as necessidades de cada paciente.

Tratamento não elimina a doença

O DIU hormonal pode controlar sintomas como cólicas e sangramento, mas não cura a endometriose. Anna Bimbato explica que o dispositivo não desfaz lesões já formadas, não resolve aderências, não trata infertilidade e não substitui a cirurgia nos casos mais graves.

Antes da colocação, é necessária uma avaliação ginecológica, com exclusão de gestação e investigação de situações que possam contraindicar ou dificultar o uso. Entre elas estão infecção pélvica ativa, sangramento uterino sem diagnóstico definido e alterações ou distorções da cavidade uterina.

A endometriose ocorre quando células semelhantes às do endométrio se implantam em regiões como ovários, trompas, intestino e outras estruturas da pelve. A doença pode causar cólica menstrual intensa, dor durante a relação sexual, dor ao evacuar, dor ou dificuldade para urinar, dor pélvica crônica e dificuldade para engravidar.

A condição atinge até 15% das mulheres em idade reprodutiva no país, entre 15 e 51 anos. No Espírito Santo, são 167 mil mulheres com a doença, conforme as Projeções das Populações 2026 do IBGE. Entre 30 a 50% das mulheres com endometriose têm infertilidade.

No Sistema Único de Saúde, a incorporação do DIU hormonal Mirena para o tratamento de sintomas da endometriose foi feita no ano passado.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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