ESPÍRITO SANTO — Os planos de saúde terão de cobrir o DIU hormonal para mulheres com endometriose a partir de 1º de outubro. A regra vale para pacientes que tenham contraindicação ao uso de anticoncepcionais orais combinados ou que não consigam manter esse tratamento. A cobertura também será obrigatória quando o uso do dispositivo estiver previsto em bula aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A mudança está na Resolução Normativa 680, publicada na última terça-feira (22). A ginecologista e obstetra Anna Bimbato explica que o DIU hormonal já era utilizado no tratamento da endometriose, mas a autorização podia ser negada porque a bula contemplava contracepção, sangramento intenso e proteção do endométrio na reposição hormonal.
Critérios para conseguir o dispositivo
O diagnóstico de endometriose, sozinho, não garante a cobertura. A paciente precisa se enquadrar em um dos critérios definidos pela ANS: ter indicação prevista em bula, apresentar contraindicação ao anticoncepcional oral ou não conseguir manter esse tratamento.
O médico deve registrar no relatório o diagnóstico e explicar por que a pílula não é uma opção. Em caso de contraindicação, é necessário indicar o motivo. Quando houver falta de adesão, o documento deve informar o que foi tentado e por que não funcionou.
Karin Rossi, ginecologista e presidente da Associação de Ginecologistas e Obstetras do Espírito Santo, afirma que o DIU mais indicado para casos de endometriose é o de levonorgestrel 52 mg, conhecido como Mirena. O dispositivo custa cerca de R$ 1.250. Segundo ela, o hormônio pode reduzir o tamanho do endométrio e o fluxo menstrual, que pode até cessar.
O Mirena libera uma quantidade maior de levonorgestrel e tem mais estudos relacionados ao controle da dor da endometriose. O Kyleena libera uma dose menor e tem características mais voltadas à contracepção. A escolha deve levar em conta as características e as necessidades de cada paciente.
Tratamento não elimina a doença
O DIU hormonal pode controlar sintomas como cólicas e sangramento, mas não cura a endometriose. Anna Bimbato explica que o dispositivo não desfaz lesões já formadas, não resolve aderências, não trata infertilidade e não substitui a cirurgia nos casos mais graves.
Antes da colocação, é necessária uma avaliação ginecológica, com exclusão de gestação e investigação de situações que possam contraindicar ou dificultar o uso. Entre elas estão infecção pélvica ativa, sangramento uterino sem diagnóstico definido e alterações ou distorções da cavidade uterina.
A endometriose ocorre quando células semelhantes às do endométrio se implantam em regiões como ovários, trompas, intestino e outras estruturas da pelve. A doença pode causar cólica menstrual intensa, dor durante a relação sexual, dor ao evacuar, dor ou dificuldade para urinar, dor pélvica crônica e dificuldade para engravidar.
A condição atinge até 15% das mulheres em idade reprodutiva no país, entre 15 e 51 anos. No Espírito Santo, são 167 mil mulheres com a doença, conforme as Projeções das Populações 2026 do IBGE. Entre 30 a 50% das mulheres com endometriose têm infertilidade.
No Sistema Único de Saúde, a incorporação do DIU hormonal Mirena para o tratamento de sintomas da endometriose foi feita no ano passado.








