Conteúdos em redes sociais e ferramentas de inteligência artificial podem ajudar na preparação para uma viagem aos Estados Unidos, mas também apresentam riscos para quem solicita um visto. De acordo com o Departamento de Estado dos EUA, a taxa de recusa para brasileiros chegou a 14,87% em 2025.
A advogada Larissa Salvador, especializada em direito migratório, afirma que a IA pode ser usada para compreender conceitos e organizar documentos. O problema, segundo ela, aparece quando a ferramenta passa a ocupar o lugar de uma avaliação jurídica feita para a situação específica de cada pessoa.
“A IA pode ajudar a entender conceitos e organizar documentos. O problema começa quando ela é utilizada como substituta de uma análise jurídica individualizada”, alerta Larissa.
Riscos no preenchimento e na entrevista
As respostas produzidas por essas ferramentas dependem das informações apresentadas pelo usuário. A omissão de um detalhe relevante pode levar a uma orientação inadequada. Também há o risco de inserir documentos e dados pessoais nas plataformas.
Outro ponto de atenção é a possibilidade de a IA apresentar informações incorretas ou antigas. Formulários, taxas, regras e políticas migratórias podem sofrer alterações, de acordo com a especialista.
Na entrevista, Larissa recomenda preparação verdadeira, em vez da memorização de respostas. Os oficiais procuram entender o objetivo da viagem, os vínculos do solicitante com o país onde mora e sua capacidade financeira. Discursos prontos podem parecer incompatíveis com as informações apresentadas no pedido.
“A autenticidade, a coerência entre a documentação e a narrativa oral, e a segurança ao falar sobre o planejamento são fatores que a inteligência artificial não consegue fornecer”, afirma.
Formas de usar a IA como apoio
A ferramenta pode auxiliar na organização de dados e rascunhos, na leitura e compreensão de conteúdos em inglês e na criação de listas preliminares de documentos. No caso de traduções que exigem requisitos formais, porém, o recurso não substitui o serviço adequado.
Larissa também cita TikTok e Instagram como meios de apoio inicial para organizar e compreender informações. Para ela, essas plataformas e a IA não substituem uma análise individualizada, porque detalhes do histórico pessoal e migratório podem alterar a estratégia indicada para cada caso.







