Um levantamento da Common Sense Media realizado nos Estados Unidos com cerca de mil adolescentes mostrou que 72% deles já haviam usado companheiros de inteligência artificial. Entre os participantes, 52% mantinham contato regular com essas ferramentas, e um em cada três afirmou ter escolhido uma plataforma em vez de uma pessoa para conversar.
O uso não se limita a pesquisas escolares. Crianças e jovens também recorrem aos chatbots para falar sobre inseguranças, dilemas de amizade e dúvidas corporais, muitas vezes sem que os pais saibam.
Para João Paulo Batistella, especialista em inteligência artificial, o risco aumenta quando respostas convincentes são tomadas como conselhos. Os sistemas não conhecem toda a história da criança, não identificam necessariamente o que foi omitido e não avaliam a situação como alguém que acompanha a vida dela. Ainda assim, podem produzir respostas que parecem seguras e acolhedoras.
“A inteligência artificial não entrega apenas uma informação. Ela retoma o que foi dito e cria uma sensação de diálogo”, afirma Batistella. Na avaliação do especialista, essa característica faz a interação se aproximar de uma conversa, e não apenas de uma pesquisa.
Orientações para os responsáveis
Entre as medidas sugeridas estão limitar recursos, estabelecer horários de uso e bloquear determinados aplicativos. O especialista também recomenda que os pais saibam quais ferramentas os filhos utilizam e com que finalidade.
Batistella afirma que o bloqueio, sozinho, não esclarece o que está acontecendo. “O controle reduz o acesso, mas é o diálogo que permite identificar o que está acontecendo”, diz.
A orientação é conhecer a relação da criança ou do adolescente com a inteligência artificial antes de simplesmente impedir o uso. Dessa forma, os responsáveis podem combinar limites e acompanhar a finalidade atribuída às ferramentas.







