LONDRES — Um paciente de 48 anos foi o primeiro do mundo a passar por uma cirurgia cerebral com auxílio de inteligência artificial em tempo real. O procedimento retirou um tumor benigno de 11 milímetros localizado na hipófise, no Reino Unido, e preservou a visão do paciente.
A operação foi realizada em maio desse ano, no National Hospital for Neurology and Neurosurgery, em Londres. Rhys Hibbert tinha um tumor cujo crescimento comprometia sua visão e poderia levá-lo à cegueira.
A tecnologia acompanhou as imagens transmitidas pela câmera durante a cirurgia. Para isso, a ferramenta foi treinada com exames de imagem da lesão e centenas de vídeos de cirurgias. Durante o procedimento, o sistema analisou as imagens em tempo real e destacou vasos sanguíneos, nervos e outras estruturas que precisavam ser preservadas.
Apoio aos médicos durante o procedimento
A hipófise fica na base do crânio e produz hormônios ligados a funções como crescimento, pressão arterial e regulação da temperatura corporal. Por estar próxima de estruturas importantes, a região exige cuidado durante a retirada de tumores.
Segundo a neurocirurgiã Adriana Libório, a inteligência artificial pode ajudar na identificação de vasos sanguíneos e nervos próximos à lesão. O neurocirurgião Ulysses Caus Batista descreveu a tecnologia como uma ferramenta adicional de segurança, comparável a um GPS durante a cirurgia.
O sistema não realiza a operação nem toma decisões. O controle permanece com os médicos, que avaliam as informações e conduzem o tratamento. Para André Bissoli, as ferramentas podem melhorar a segurança e a qualidade dos procedimentos, mas é necessário que uma pessoa responsável e experiente tome as decisões.
Uso ainda está em pesquisa
A tecnologia não está disponível para qualquer cirurgia cerebral. O caso do Reino Unido é pioneiro, mas um único procedimento não comprova que a inteligência artificial melhora os resultados das operações. Novos estudos e testes com outros pacientes ainda são necessários para avaliar a segurança, a precisão e os benefícios em diferentes tipos de cirurgia.
Bruno Borlott afirma que, no futuro, algoritmos poderão reconhecer limites tumorais, tecido cerebral normal e estruturas funcionais, além de vasos e nervos. Esse tipo de recurso pode ser estudado para cirurgias em áreas do cérebro relacionadas à fala, ao movimento, à visão, à memória e à compreensão da linguagem.








